O exercício pleno da cidadania foi colocado em prática na noite da última quarta-feira (16), em Arapoti, quando uma audiência pública lotou a câmara de vereadores com o objetivo de sanar dúvidas da população com respeito à reforma do Hospital 18 de Dezembro.
Ora com ânimos mais exaltados, ora de forma mais pacífica, dezenas de questões que geravam dúvidas foram esclarecidas e opiniões foram expostas de forma democrática. Para responder aos questionamentos da população e dos próprios vereadores, a Comissão de Educação, Saúde e Assistência Social da câmara, presidida pelo vereador Claudinei José Moreira, o Toddynho (PTC), levou a secretária de Saúde local, Talita Kluppel, a chefe da Vigilância Sanitária do município, Andréia Silva, e o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Marcelo Zanini.
Além de responder as questões levantadas, os três destacaram a importância da audiência pública. “Tudo que modifica a vida das pessoas merece aprofundamento”, disse Marcelo Zanini.
DÚVIDAS
Boa parte das dúvidas da população diz respeito a como seria o funcionamento do hospital após a reforma e como seria seu funcionamento durante as obras.
A secretária de Saúde explicou que durante o período da reforma o atendimento seria transferido para a Unidade Básica de Saúde do jardim Alphaville. “Claro que não vai ser algo fácil, até porque não a reforma não será rápida, mas a unidade do Alphaville é grande e temporariamente poderia abrigar os serviços prestados”, revelou.
Já sobre o funcionamento do hospital, as mudanças seriam na forma do atendimento, uma vez que passaria a atuar como centro obstétrico e atendimento de urgência e emergência para a população em geral, além de tratamento para casos de baixa complexidade.
Vale lembrar que a situação já é praticamente esta em quase toda região, uma vez que casos mais graves são de qualquer forma transferidos para hospitais de grandes centros.
“Iríamos atender as gestantes com eficiência, e outros casos seriam encaminhados para hospitais que temos convênios, não deixando ninguém sem atendimento”, garantiu Talita.
Para a reforma seriam investidos aproximadamente R$ 2 milhões. O projeto de readequação já foi aprovado pela Vigilância Sanitária e demais órgãos competentes e agora tramita em regime de urgência na câmara de vereadores, devendo ser debatido (mais uma vez) e votado na próxima sessão.
PROBLEMAS
Os problemas do Hospital 18 de Dezembro remetem a 2008, quando denúncias apontavam para uma possível contaminação de algumas alas, que posteriormente acabaram interditadas pela Vigilância Sanitária do Estado (que encontrou quatro infrações sanitárias no local) a pedido do Ministério Público.
Depois disso a prefeitura do município chegou a realizar uma reforma, porém não sanou o problema. Em 2011 foi assinado um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) entre prefeitura e MP, porém o acordo acabou não sendo cumprido por parte do município.
Depois de renegociações, a prefeitura conseguiu como prazo até 30 de setembro deste ano para solucionar a situação do hospital. Como o prazo expira em menos de duas semanas, há pressa por parte do Poder Executivo para que o projeto seja aprovado e que a reforma enfim saia do papel.
“Internações clínicas não serão mais possíveis, é verdade. Mas continuar como está é impossível, e a única saída encontrada foi essa, porque se não mudar, o hospital fecha”, sentenciou a chefe da Vigilância Sanitária de Arapoti.
LUCAS ALEIXO
Arapoti


