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Após nova apuração da Folha, decisão do prefeito de Carlópolis sobre Mais Médicos ganha nova leitura

Novas informações revelam que o município aderiu ao programa na modalidade de cofinanciamento, modelo que redireciona recursos da Atenção Primária para custear médicos e influenciou a decisão administrativa

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

CARLÓPOLIS - Novas apurações realizadas pela reportagem trazem um novo entendimento sobre a decisão da Prefeitura de Carlópolis de encerrar a participação no Programa Mais Médicos, do Governo Federal. Informações técnicas obtidas junto ao Ministério da Saúde e declarações recentes da administração municipal indicam que o município aderiu ao programa por meio da modalidade de cofinanciamento, modelo que altera significativamente a forma de custeio dos profissionais e o fluxo de recursos da saúde básica.

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A nova interpretação muda o eixo do debate público sobre o tema e reforça a justificativa apresentada pelo prefeito Nilton Meira (PSD), que vinha sendo questionada por moradores e lideranças políticas desde o anúncio da saída do programa.

Modelo de adesão impacta orçamento da saúde

Diferentemente do formato mais comum de participação no Mais Médicos — em que o município paga apenas uma contrapartida destinada à manutenção dos profissionais — o cofinanciamento prevê que parte dos recursos federais vinculados à Atenção Primária seja redirecionada para o pagamento das bolsas médicas.

Vale ressaltar que estas informações não haviam sido repassadas pela Superintendência do Ministério Público do Paraná na apuração anterior da reportagem.

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Na prática, isso significa que o valor não chega integralmente aos cofres municipais para aplicação direta em outras ações da saúde básica, sendo compensado pela presença dos médicos vinculados ao programa.

Além disso, o município também arca com a ajuda de custo local, destinada a despesas como moradia e alimentação dos profissionais. Esse conjunto de fatores foi apontado pela gestão como um dos elementos centrais para a decisão de rever a participação no programa.

Sendo assim, Carlópolis paga R$ 3,5 mil de contrapartida para cada profissional, e mais a bolsa, de R$ 14 mil para cada um deles, totalizando R$ 17,5 mil que saem da Atenção Primária. Com os médicos credenciados, este valor deve ser reduzido significativamente.

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Sessão extraordinária expôs argumentos da gestão

Na terça-feira da semana passada, dia 17, o prefeito participou de uma Sessão Extraordinária na Câmara Municipal, convocada para prestar esclarecimentos sobre o encerramento da adesão ao programa federal. Assista a Sessão completa.

Durante sua fala, Nilton Meira afirmou que a decisão vinha sendo analisada desde o ano passado e não ocorreu de forma precipitada.

“Nossa ideia era fazer uma transição gradual, para que tudo corresse de forma organizada. No entanto, o próprio programa estabeleceu prazos para formalizar a rescisão. Esse não foi um estudo recente, estamos avaliando essa situação desde o ano passado”, declarou.

Segundo o chefe do Executivo, a estratégia adotada agora será o credenciamento direto de médicos, modelo que, de acordo com ele, permitirá maior controle sobre custos e produtividade.

“Com o credenciamento, o município pagará apenas pelas horas efetivamente trabalhadas. Se o profissional não comparecer, não haverá pagamento.”

Impacto nos atendimentos também foi citado

Outro ponto levantado pela administração municipal foi o volume de atendimentos realizados dentro da carga horária atual dos profissionais do programa.

“Hoje os médicos atendem 36 horas semanais. Se analisarmos esse cenário ao longo do ano, são milhares de atendimentos que deixam de ser realizados ou pacientes que aguardam atendimento”, afirmou o prefeito.

Ele também apresentou dados sobre a evolução dos repasses federais destinados às equipes de Saúde da Família e os descontos relacionados ao programa. Segundo o gestor, no início da atual administração o município recebia cerca de R$ 65 mil mensais para três equipes, com descontos expressivos vinculados ao Mais Médicos. Atualmente, com seis equipes, o repasse supera R$ 150 mil, mas ainda há retenção de parte desses recursos para custear o programa.

Debate segue mobilizando população

A decisão continua gerando repercussão política e social em Carlópolis. Parte da população defende a permanência dos profissionais do Mais Médicos, enquanto a gestão sustenta que a reorganização do modelo de contratação pode ampliar a eficiência dos atendimentos e a autonomia administrativa.

Com o encerramento da participação, os médicos vinculados ao programa deverão ser remanejados para outros municípios, enquanto a Prefeitura trabalha na implementação do novo sistema de credenciamento.

Novos desdobramentos devem ocorrer nas próximas semanas, à medida que o município avança na reestruturação da Atenção Primária e o tema segue em debate entre autoridades e comunidade.

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