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Maternidade à distância

Maternidade à distância

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Período da tarde do dia 9 de setembro na maternidade da Santa Casa de Misericórdia de Jacarezinho. Às 14h30 nasce o primeiro bebê do dia. Meia hora depois, uma menina é a segunda criança a vir ao mundo. Mas além da data de nascimento, sabe o que os recém nascidos têm em comum? Ambos são filhos de casais que não moram em Jacarezinho, mas por falta de estrutura nos hospitais das cidades onde vivem o parto precisou ser “à distância”.

Enquanto o primeiro neném é filho de um casal de Wenceslau Braz, a menina que nasceu minutos depois é filha de um casal de Cambará. Entretanto, pelo menos uma dezena de municípios da região tem sofrido com a falta de estrutura de seus hospitais, municipais ou privados.

Esta situação reflete o sucateamento dos hospitais de pequeno porte nos últimos anos, situação que foi agravada e muito pela diminuição dos repasses de recursos do governo federal para estas instituições.

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Consequentemente duas cidades da região ficam sobrecarregadas no quesito partos: Santo Antônio da Platina e Jacarezinho.

A primeira tem o Hospital Regional, que atende exclusivamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), além do Hospital Nossa Senhora da Saúde, que conta com um quadro de médicos obstétricos conceituados operando ali – muito embora a instituição tenha passado por diversos problemas nos últimos anos.

Outra opção muito escolhida para partos que não são feitos pelo SUS é Jacarezinho, pela boa estrutura da Santa Casa de Misericórdia do município – que assim como a cidade vizinha também conta com obstetras conceituados.

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“Escolhemos Jacarezinho porque confiamos na estrutura do hospital e a médica escolhida só operava aqui. É longe, mas valeu a pena”, afirma MULHER-SILHUETACaroline Moraes, mãe do primeiro bebê citado nesta reportagem.

“Lá em Cambará o hospital já era, aí o pessoal está indo para Santo Antônio, mas como aqui em Jacarezinho é mais perto e o hospital é melhor, viemos para cá”, explica Maria Madalena dos Santos, avó materna da segunda criança.

 

PRÉ NATAL

Como estes dois partos não foram realizados pela SUS, o pré natal em ambos os casos também foram realizados em Jacarezinho, obrigado as gestantes assim a pegar estrada mensalmente para o acompanhamento médico.

Contudo, esta situação não é geral. Em casos de grávidas que fazem o acompanhamento pelo SUS, todo o pré natal é realizado nos municípios onde vivem, e apenas os partos exigem viagens para cidades vizinhas.

 

UTI

Agora, se por uma fatalidade a criança nascer com problemas que exigem cuidados especiais, aí a viagem para Santo Antônio da Platina (caso o bebê não tenha nascido ali) é certa, já que o município é o único da região a contar com uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal, funcionando no Hospital Regional.

Em caso da mãe passar por complicações de maior complexidade médica, aí o destino é Jacarezinho, que por sua vez é a única cidade a ter uma UTI adulta. Mas vale lembrar que o HR está construindo uma UTI adulta e a partir do ano que vem também poderá receber pacientes com quadro clínico agravado.

Em todos os casos, porém, a única certeza (para quem não está nestes municípios) é a necessidade de pegar estrada para receber os devidos cuidados.

BRAZ

Em Wenceslau Braz, que há mais de dois anos não registra o nascimento de uma criança, a situação deve estar prestes a mudar. Isto porque o Hospital São Sebastião, que teve o centro cirúrgico interditado e posteriormente demolido, já tem um projeto pronto para a construção de um novo centro cirúrgico, inclusive com a verba para as obras já liberada.

No momento pequenos detalhes burocráticos impedem o projeto de ser enfim liberado e construção iniciada, o que deve acontecer até o fim deste ano. Grande parte das gestantes do município ruma para Tomazina para dar à luz.

LUCAS ALEIXO

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