Mesmo após a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o recolhimento de lotes de produtos da marca Ypê por suspeita de contaminação microbiológica, consumidores da região ainda encontram os itens normalmente expostos nas prateleiras dos supermercados, acompanhados apenas de comunicados informativos fixados nas gôndolas.
Em Wenceslau Braz, Arapoti, Jaguariaíva e outros municípios da região, a reportagem constatou a comercialização dos produtos em pelo menos quatro supermercados de cada cidade. A venda, entretanto, não configura irregularidade neste momento, já que a fabricante Química Amparo LTDA, responsável pela marca Ypê, recorreu da decisão da Anvisa e conseguiu temporariamente a suspensão dos efeitos da medida que determinava a retirada imediata dos produtos do mercado.
Apesar disso, a própria Anvisa mantém o alerta sanitário e reforça que os consumidores devem evitar o uso dos produtos afetados.
Segundo a agência reguladora, a suspensão da medida ocorreu apenas por efeito jurídico do recurso apresentado pela empresa, sem qualquer alteração na avaliação técnica feita pelos órgãos de fiscalização.
Na prática, isso significa que a Anvisa continua considerando que há risco sanitário nos produtos investigados e mantém a recomendação para que os consumidores não utilizem os itens afetados. O alerta sanitário vale exclusivamente para 24 produtos fabricados na unidade da Ypê em Amparo (SP), incluindo detergentes lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes. Os lotes envolvidos são aqueles cuja numeração termina com o número “1”.
A situação foi discutida nesta terça-feira (12) durante uma reunião realizada na sede da Anvisa, em Brasília, entre representantes da agência e da Química Amparo LTDA.
Participaram do encontro o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, o diretor de fiscalização Daniel Pereira, além do presidente da Ypê, Waldir Beira Júnior, e do diretor de operações da empresa, Jorge Eduardo Beira.
De acordo com a fabricante, já foram implementadas 239 ações corretivas nos processos de fabricação, após apontamentos realizados pela Anvisa em inspeções feitas ao longo de 2024 e 2025.
A empresa informou ainda que intensificou as adequações sanitárias na unidade industrial de Amparo logo após a publicação da Resolução nº 1.834/2026, divulgada na última quinta-feira (7).
A Diretoria Colegiada da Anvisa deve analisar nesta quarta-feira (13) o recurso protocolado pela fabricante na última sexta-feira (8). O pedido busca suspender definitivamente os efeitos da decisão que determinou o recolhimento dos lotes e a interrupção da comercialização dos produtos.
Segundo a agência, a medida adotada inicialmente teve como base análises de risco sanitário e inspeções realizadas em conjunto com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária.
As fiscalizações identificaram falhas em sistemas de controle de qualidade e nos processos de fabricação da unidade industrial investigada.
Enquanto não há decisão definitiva, os produtos seguem sendo encontrados normalmente no comércio, embora permaneçam sob recomendação oficial de “não uso” por parte da Anvisa.


