Onde tudo começou
Por volta de 1935, descobriu-se o efeito da testosterona no corpo humano. Como primeira consequência, as pesquisas apontavam o hormônio masculino como responsável pelas características sexuais secundárias no homem como a produção de espermatozoide, entre outros fatores. Resultados posteriores da presença da testosterona também foram constatados, como melhora na disposição e favorecimento na recuperação da atividade física. Bem próximo dessa descoberta, ocorreu o anúncio das drogas esteroides anabolizantes e já em 1938 já se tinha a produção delas.
Reais indicações
Os anabolizantes possuem vários usos clínicos, tendo como função principal a reposição da testosterona nos casos em que, por algum motivo patológico, tenha ocorrido um déficit desse hormônio. Muitos similares da testosterona são usados em tratamento médico, como nos casos de deficiência de testosterona, problemas testiculares, câncer de mama, angioedema hereditário, anemia aplástica, endometriose grave e estímulo do crescimento em caso de puberdade masculina tardia. Além do uso médico, eles têm a propriedade de aumentar os músculos e, por esse motivo, são muito procurados por atletas ou frequentadores de academia que querem melhorar o desempenho e a aparência física. O uso estético não é indicação médica, portanto é ilegal e ainda acarreta problemas à saúde.
Injeção ou via oral
Há uma série de drogas esteroides anabolizantes fabricadasnos dias de hoje. A apresentação mais comum é em ampolas para injeção intramuscular em estado oleoso. Alguns deles também são produzidos para uso via oral, existe ainda apresentações como pomadas, cremes cicatrizantes e adesivos. “Há uma série de veículos para administração das drogas, dose e concentração do princípio ativo. Porém, a base dos medicamentos é sempre a mesma: uma modificação da testosterona”, esclareceDr Felipe Corcini.
Efeitos colaterais
Por trás dos aparentes resultados desejáveis, os anabolizantes provocam uma série de comprometimentos à saúde daqueles que os usam sem indicação clínica, entre eles está o aumento do colesterol ruim (LDL) e diminuição do colesterol bom (HDL), sobrecarga hepática que gera infecções e até câncer no fígado, hepatite medicamentosa, alterações do tecido cardíaco que podem levar a arritmias. Acne, mudanças de comportamento e aumento de agressividade também são consequências do uso de anabolizantes. Queda de cabelos e diminuição da produção de espermatozoides são outras alterações que acometem os homens, assim como o aparecimento de mamas e redução dos testículos.
A preocupação em relação aos riscos concentra-se na evidência acerca das possíveis associações entre o abuso de androgênio e uma função hepática anormal, já que o fígado é o responsável, quase que exclusivo, pelo metabolismo dos androgênios. Em casos extremos, o fígado pode ficar tão debilitado e falhar – ou, então, favorecer uma hemorragia intra-abdominal e o paciente pode vim ao óbito em questão de horas.
CRF-PR 24.253
Especialista em Acompanhamento Farmacoterapêutico


