Muitos têm buscado achar culpados pela crescente onda de violência no país. O presidente Jair Bolsonaro (PSL), a liberação das armas e os jogos de videogame tem sido os principais alvos das críticas nos últimos dias, principalmente após o ataque em Suzano/SP. Porém, os pais que deixam seus filhos terem acesso irrestrito a conteúdos impróprios acabam passando despercebidos com relação a sua irresponsabilidade no desenvolvimento dos pequenos.
Porém, nesta segunda-feira (18) um assunto sério tomou conta das redes sociais e ligou o sinal de alerta máximo para pais e responsáveis ou, ao menos, aos que realmente se importam com a saúde mental dos filhos. Isso porque vídeos destinados a crianças estão sendo invadidos e utilizados para manipular os pequenos a cometer atividades perigosas, inclusive, o suicídio.
Os relatos são de alguns pais que afirmam ter visto em vídeos assistidos por seus filhos a aparição da boneca “Momo” induzindo as crianças a irem até a cozinha, pegar a faca da “mamãe” e cortar os pulsos com bastante força. Segundo relatos, a boneca tenta convencer os menores de que seus pais ficariam muito felizes com a surpresa. Uma mãe relatou a revista Crescer que descobriu a situação após sua filha apresentar comportamento de medo e não conseguir dormir e, ao verificar o que estava acontecendo, a menor contou já ter visto a boneca “Momo” três vezes.
Muitos pais acabam deixando os filhos passar horas em frente ao computador, jogando ou na internet se nenhum tipo de acompanhamento. Depois de um dia cansativo de trabalho, a distração que a tecnologia promove aos filhos acaba sendo confortante para que os adultos possam descansar ou fazer suas tarefas enquanto os pequenos estão distraídos. É aí que mora o perigo, alertam os especialistas.
O Youtube afirma ter mecanismos que impedem que a imagem da boneca seja vinculada a vídeos do canal YoutubeKids, mas a ação dos hackers responsáveis pela propagação dos vídeos pode estar driblando estes filtros e fazendo com que o conteúdo esteja disponível. Apesar disso, o Ministério Público da Bahia, por exemplo, solicitou ao Google e Whatsapp que retirem as imagens da boneca do ar. Segundo o promotor responsável, apesar de não haver casos registrados no Estado, é importante que haja uma ação para que os vídeos não sejam mais compartilhados.
De toda forma, especialistas advertem que o único filtro que pode-se considerar totalmente confiável nestes casos é o acompanhamento continuo dos pais com relação ao conteúdo que está sendo consumido pelos filhos. Psicólogos ainda alertam que a ausência dos pais e problemas domésticos podem fazer com que crianças e adolescentes encontrem em grupos da internet outras pessoas que passam pelas mesmas situações, mesmo que supostamente, e se utilizem disso para tirar proveito dos pequenos.
Caso algum pai se depare com algum vídeo ou desafio do tipo, a orientação é que a polícia e os canais do Youtube, Facebook e Google sejam comunicados para que o mesmo seja retirado do ar, lembrando que o conteúdo não deve ser compartilhado evitando que se torne um viral.

Desafio MOMO
A boneca Momo surgiu a partir de uma escultura plástica de um artista japonês e começou a ser utilizada na internet em jogos de desafios onde, tanto no Whatsapp e Facebook, crianças e adolescentes eram desafiados a conversar com a “Boneca” que respondia propondo que as pessoas fizessem coisas perigosas. Para pressionar estes indivíduos, a “boneca”, entre outras ameaças, dizia ter acesso a dados pessoais dos usuários. Até hoje não se sabe quem são as pessoas escondidas por trás da boneca.
PERIGO
Em agosto do ano passado, o garoto Arthur Luiz Barros Santos, de 9 anos, foi encontrado enforcado no quintal da residência da família. A mãe contou à polícia que o filho, antes de morrer, apresentava grande ansiedade para mexer no celular, olhos avermelhados por permanecer muito tempo no aparelho e comportamento estranho.
De acordo a advogada da família, Arthur era um garoto carinhoso com os pais e estudioso, sendo que nunca apresentou quadro depressivo. Segundo a mãe, quando o menino começou a mudar seu comportamento ele havia comentado sobre a boneca “Momo”. As investigações apontam que Arthur pode ter sido vítima de um jogo onde crianças e adolescentes eram desafiadas a permanecer sem ar o maior tempo possível, onde as pessoas que induziam os menores a cometer os atos se apresentavam por trás da figura da boneca.


