“Pedras que Cantam” é um clássico da Música Popular Brasileira. Presos que fogem é uma realidade da cadeia pública de Ibaiti.
“Quem é rico mora na praia, mas quem trabalha não tem onde morar. Quem não chora dorme com fome, mas quem tem nome joga prata no ar”. Essa é a letra da canção em questão.
Em Ibaiti são quase 90 detentos, que por estarem presos não trabalham, mas vez ou outra fogem e ficam “sem ter onde morar”. Ali na cadeia pública também vez ou outra também não dormem, mas ao não por estarem com fome, e sim por estarem cavando túneis ou serrando grades para fugir.
E de tempos em tempos a cadeia de Ibaiti ganha as páginas policiais de diversos meios de comunicação do Norte Pioneiro e do Estado. Pudera. Além da superlotação existe o problema estrutural do prédio, construído há mais de 70 anos. Nesse tempo foram várias reformas e adaptações, mas nada que de fato resolvesse o problema. A recente chegada de agentes carcerários ameniza a questão, mas não a resolve.
E o que resolveria? A construção de uma unidade prisional propriamente dita para o Norte Pioneiro, uma vez que por aqui não há prédios desse gênero e todos os presos ficam nas delegacias, quase sempre superlotadas.
Claro que em tempos de crise e recessão financeira pedir por uma obra deste porte chega a ser quase uma utopia. Mas também simplesmente alegar impossibilidade financeira e virar as costas para o problema, além de não resolver, irá agravá-lo.
É preciso que os deputados que representam a região e os prefeitos daqui comecem a pensar sobre o tema. Qual município quer uma cadeia? Nenhum, obviamente. Mas quem quer continuar com as fugas dos presos das delegacias? Ninguém. Alguém terá que arcar com o ônus para que um dia haja um bônus. Um dia.
Até lá a região convive com presos que fogem.


