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LENDAS DO INTERIOR: Dia das Bruxas e Finados confrontam o racional com o sobrenatural

LENDAS DO INTERIOR: Dia das Bruxas e Finados confrontam o racional com o sobrenatural

Com a aproximação do Dia das Bruxas do Finados, antigas superstições, que hoje em dia já estão relativamente em baixa, voltam à tona especialmente em municípios do interior, onde o imaginário das pessoas já foi e muito pautado pela mística dessas datas.

As famosas lendas urbanas, que por aqui são muitas vezes “lendas rurais”, infelizmente já não têm o vigor de outrora, sucumbindo a um “senso racional comum”. Nesses dias que antecedem as datas tão folclóricas, porém, vale à pena relembrar de algumas histórias que em décadas passadas causaram medo em muita gente.

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Mas mesmo com as mudanças culturais (acompanhadas de toda evolução tecnológica, estudantil e social de hoje em dia) que fizeram com que muitas crenças populares caíssem em descrença, ainda há bastante espaço para o inexplicável. Até porque não existe cidade do interior que se preze que não tenha ao menos uma bela história sobrenatural que apavorou gerações e mais gerações.

E se as gerações atuais não têm muito o que dizer a respeito, as gerações mais antigas ainda conseguem colocar medo em muita gente com histórias dignas de se tornarem roteiros de filmes de terror.

Como não lembrar da noiva/loira do banheiro que fez sucesso em tantas escolas? Ou o que dizer do místico casarão da família Maluf em Wenceslau Braz? Ou as lendas e aparições sobre o rio das Cinzas em Tomazina? Ou ainda o fantasmagórico trecho da PR-431 entre Jacarezinho e Ribeirão Claro? Ou o tão famoso cemitério dos escravos em Arapoti? E por fim, não tem como deixar de fora uma das lendas mais citadas por aqui: o sobrenatural ônibus da Viação Garcia, que mesmo “sem existir” teria dado carona a universitários.

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Uma a uma, há de aproveitar a data e o momento para saborear um pouco de cada uma dessas histórias que, querendo ou não, fazem parte da cultura regional e ajudam a manter a identidade de interior que diz respeito a este cantinho do Paraná.

O detalhe é que muitas dessas histórias se repetem município a município, mas sempre com os “mesmos personagens”.

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NOIVA DO BANHEIRO

Talvez o caso mais emblemático seja da noiva/loira do banheiro. Além da repetição das histórias, há sempre alguma variação, mas a essência do “acontecido”, de forma genérica, é a mesma.

A noiva ou loira do banheiro começou a fazer sucesso pelo Brasil ainda na década de 60. Como na época as modas das grandes cidades demorava a chegar ao interior, ainda na década de 90 os estudantes relatavam aparições do fantasma em questão.

Umas sem rosto, outras sem cabeça, outras noivas loiras, outras apenas noivas. Ora vítima de um acidente próximo a aquela escola onde a lenda era contada, ora vítima do marido. Sempre dona de uma morte trágica, ela é um verdadeiro mito da sobrenaturalidade.

CASARÃO em Wenceslau Braz

[caption id="attachment_264613" align="aligncenter" width="700"]Casarão dos Maluf em Wenceslau Braz Casarão dos Maluf em Wenceslau Braz[/caption]

O casarão dos Maluf (hoje em dia em ruínas) em Wenceslau Braz ficava nos arredores da cidade, próximo à vila Toyoki, no contorno que liga a PR-092 à PR-422. De espíritos de escravos da antiga fazenda a pessoas supostamente assassinadas ali, o lugar sempre foi rodeado por histórias que relatavam barulhos, luzes e aparições do além, sempre vistas por moradores da região e pessoas que trafegavam por ali.

RIO DAS CINZAS

Não há morador de Tomazina que não conheça alguma lenda urbana envolvendo o rio das Cinzas, que vão desde a famosa cobra que dorme sob a igreja matriz até barqueiros e outras instituições não humanas que vagam pelo rio durante a noite e/ou em datas específicas, como sexta-feira 13, Dia das Bruxas, Finados ou ainda noites com lua cheia.

PR-431

[caption id="attachment_264609" align="aligncenter" width="512"]PR-431 entre Jacarezinho e Ribeirão Claro PR-431 entre Jacarezinho e Ribeirão Claro[/caption]

Quem já passou pela PR-431 entre Jacarezinho e Ribeirão Claro sabe que se trata de um lugar icônico no quesito aqui abordado. Na década de 80 um taxista de Jacarezinho chegou em casa chorando após uma corrida a Ribeirão Claro, alegando ter visto uma noiva com apenas um olho, localizado na testa, e cheia de sangue, parada no meio da pista. A testemunha da suposta manifestação não gostava de brincadeiras do gênero e passou o resto da vida evitando tocar no assunto – assim como trafegar pela rodovia durante a noite.

Localizada nesta região está o lugar conhecido como Fazenda Sete Voltas. Uma família que habitou o lugar na década de 70 relata com precisão cirúrgica aparições seguidas e inexplicáveis de vultos, barulhos, sons, pessoas, animais e etc.

Duas coisas impressionam nesta história. A primeira é que algumas aparições sobrenaturais foram vistas por várias pessoas, seja ao mesmo tempo, seja em situações distintas, o que afasta a tese de uma imaginação embalada pelo medo. A segunda é que outras famílias que viveram ali posteriormente também conviveram com situações similares.

O tal horror tem como explicação uma suposta tragédia familiar que aconteceu no local antes dos moradores assombrados viveram ali. Segundo a lenda, após uma briga envolvendo pessoas da mesma família, foram três mortes violentas causadas por parentes entre si. As manchas de sangue no chão, inclusive, permaneceram intactas por anos, sem que mato ou plantas nascessem nesses locais.

Cemitério dos escravos em Arapoti

[caption id="attachment_264610" align="aligncenter" width="700"]Cemitério dos escravos de Arapoti, nas ruínas da Fazenda Bela Vista Cemitério dos escravos de Arapoti, nas ruínas da Fazenda Bela Vista[/caption]

O cemitério dos escravos de Arapoti, nas ruínas da Fazenda Bela Vista, como não poderia deixar de ser, é mais um local citado como dono de muitas aparições e histórias envolvendo o sobrenatural.

Vozes, mudanças de flores e objetos de lugar, coisas que brilham de dentro dos túmulos e aparições na estrada próxima ao local. Tudo isso (e mais um pouco) é relatado pelos moradores da região que estão ali há bastante tempo.

Ônibus Garcia

Assim como as assombrações da Fazenda Sete Voltas, outra lenda “com provas” é a do ônibus fantasma da Viação Garcia. Segundo relatos, há muitos e muitos anos o ônibus que trazia universitários de Jacarezinho para Wenceslau Braz quebrou na volta da faculdade, já no fim da noite. Um motorista de um ônibus de linha da Garcia, compadecido, parou para ajudar. Os universitários então pegaram carona com esse segundo coletivo e voltaram para suas casas.

Durante a viagem os universitários estranharam que todos os passageiros da Garcia vestiam branco, estavam quietos e havia um cheiro estranho no ar. No dia seguinte, já em casa, uma das caroneiras resolveu ligar para a empresa para agradecer pela carona, quando então teve a grande surpresa: o ônibus descrito por ela havia sofrido um acidente horas antes da suposta carona e tanto o motorista quanto todos os passageiros haviam morrido.

OUTROS

É claro que essas são apenas algumas das inúmeras histórias capazes de mexer com a imaginação de muitos, especialmente nesta época. Também é bem provável que essas lendas tenham outras variações e outras versões, às vezes mais e às vezes menos elaboradas, mas estão aí para causar medo em alguns e descrença total em outros.

E você pode até não acreditar nessas histórias nem nunca ter visto nada sem explicação racional, mas com certeza conhece quem acredita e quem já presenciou aquela historinha marota capaz de deixar qualquer um arrepiado quando contada à noite.

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