No meio disso tudo, um problema cresce e, exceto pela inflação, é considerado o grande vilão do comércio: a inadimplência. Com as vendas em baixa, a inadimplência pode ser a “pá de cal” em cima de muitos comércios que já estão mal das pernas.
E infelizmente esse problema tem se acentuado severamente neste período de crise da economia brasileira. A reportagem da Folha Extra desta edição ouviu lojistas e representantes de associações comerciais e colheu informações alarmantes.
O número de devedores no comércio é cada vez maior, e cada vez causando maiores problemas para os credores. Muitas associações aqui da região já têm aconselhado seus integrantes a rever a abertura de novos crediários – conselho este seguido por muitos comerciantes.
Antigamente os juros assustavam os devedores. Hoje, em meio à falta total de dinheiro na praça, os juros tornam as dívidas ainda mais impagáveis. Se o devedor não conseguiu pagar X, o que dirá pagar 2X.
Entretanto, não é justo que quem vende ou oferece um produto pague por ele com prazo determinado junto ao fornecedor e acabe vendendo esse mesmo produto “sem prazo para receber”.
Os juros do cartão e do cheque especial também espantam os clientes, que acabam deixando muitos comerciantes com a opção da venda a crediário ou da não venda. Entre a cruz e a espada, quase que literalmente.
Com a inadimplência cada vez maior, lojistas são obrigados a demitir. Os demitidos, por sua vez, acabam se tornando inadimplentes também. E a roda da economia gira, só que para traz.
Por fim a grande questão que paira sobre associações comerciais, comerciantes e devedores: quem vai pagar o pato? Ou essa conta também entrará para a lista das que estão em aberto?


