A maior indignação da população vem no sentido de que as leis devem atuar para contribuir na ampliação do atendimento e não na restrição do mesmo, como por exemplo, no tocante ao plantão 24h, atualmente impedido de ocorrer em farmácias que não disponham de um farmacêutico em tempo integral.
A lei impede também que seja realizado atendimento de qualquer natureza pelos funcionários ou proprietário da farmácia se a mesma não estiver de portas abertas, o que limita que toda emergência na compra de medicamentos aconteça até às 22h na maioria dos municípios do Norte Pioneiro.
Alguns casos como o de Tomazina encerram os atendimentos ainda mais cedo, às 18h segundo informações de moradores.
MORADORES
[caption id="attachment_18123" align="alignleft" width="300"] Maria sugere que os bons pagadores sejam divulgados[/caption]
Alguns brazenses foram indagados a respeito do projeto, contudo as opiniões ainda estão divididas, o que vem a somar para o texto base da lei que ainda não foi aprovada, pois segundo o vereador que apresentou a proposta Paulo Henrique Lima, o Rick (PHS), o documento não está engessado e precisa da colaboração de todos para ser formalizado na votação.
A moradora e comerciante Jussara Ferreira é contra a criação da lei, porque a redução de expedientes poderá diminuir o quadro de funcionários, sendo que alguns têm preferência por fazer a escala de fim de semana. “Penso sempre nas famílias, se por um lado é árduo trabalhar aos fins de semana, não sabemos o quanto aquela pessoa conta com aquele dinheiro extra que vem através dos plantões”, opina Jussara.
A farmacêutica Rocio Carneiro é a favor do plantão de apenas uma farmácia porque criará uma rotatividade entre os estabelecimentos e a clientela. “Atualmente não trabalho em nenhuma farmácia, mas como a lei exige a estadia de um farmacêutico e tenho colegas que atuam nesses estabelecimentos de saúde, sei o quanto é difícil para eles manterem a farmácia aberta nos fins de semana, com a criação do plantão a carga dilui e a legislação não permitirá que os outros fiquem sobrecarregados”, pontua Rocio.
O senhor Nelson Mendes, explica que apesar de comprar medicação esporadicamente, é contrário a criação da lei. “Temos que traçar uma linha de raciocínio, se a farmácia X quer fidelizar clientes, mas durante a semana toda não tem clientela fixa considerável, não será em uma emergência de fim de semana que irá ganhar pra sempre aquele cliente”, argumenta Nelson.
[caption id="attachment_18118" align="alignright" width="300"] Seu Nelson é contrário ao projeto de plantões[/caption]
“Por outro lado, se ainda não há lei, os outros não abrem porque não querem. O correto é dar margem de concorrência entre as farmácias, não obrigar o cliente a ir em uma única porque as outras estão fechadas”, conclui o aposentado.
Maria Silva Batista se mostrou favorável e sugeriu que os crediários bons fossem repassados às demais farmácias que ao terem maior conhecimento daquele cliente poderiam abrir contas.
ONDE JÁ TEM
Alguns moradores de outros municípios onde já existe o plantão opinaram acerca do funcionamento das farmácias em suas localidades.
Eneias Galdino Alves era morador de Ibaiti , onde o plantão já é estabelecido por lei, explica que o esquema é benéfico, porém a farmácia que atenderá às emergências precisa dar o suporte necessário para qualquer situação. “Muitas vezes, o hospital não possui as medicações para aquele momento e a pessoa sai com sua receita na mão em busca de uma farmácia, se a responsável pelo plantão não possuir o remédio, então a legislação acabou prejudicando aqueles moradores, por isso muito deve ser revisto antes de qualquer lei ser aprovada”.
Um morador de Siqueira Campos, outro município no qual a lei do plantão já vigora ressalta que os farmacêuticos devem ter autonomia para abrir nos fins de semana. “Se centralizamos o plantão em apenas uma farmácia, a mesma pode um dia não poder abrir por motivos de força maior, e nesse caso, a população vai ficar na mão?”, indagou Denilson da Silva Guide.
No caso de W. Braz, o Artigo 4º da lei compreende ao aviso antecipado e a troca de plantão, caso a farmácia escalada não possa realizar o atendimento na data prevista, contudo o não aviso causa transtornos para os moradores que poderão não localizar tão rapidamente o comércio de plantão.
AMPLIAÇÃO X REDUÇÃO
Apesar das opiniões diversas, os anseios da maioria dos entrevistados é para que o atendimento nas farmácias seja ampliado para 24 h. Atualmente o Conselho de Farmácias proíbe que sejam fornecidos remédios sem que as portas estejam abertas.
Contudo, as emergências com saúde não tem hora marcada e esse quesito deve ser levado em consideração pelo Poder Legislativo, a adesão de um artigo que compreenda ao atendimento após as 22 h em acordos comumente feitos entre os proprietários.


