Na sessão da câmara municipal de Wenceslau Braz realizada na última segunda-feira (6), foi apresentado um projeto de lei para a proibição de perfurações e extração do gás de xisto, ou gás de folhelho, por meio do fracking. A iniciativa foi do presidente da casa Luiz Alberto Antônio, Beto do Esporte (PSDB).
Na ocasião dezenas de brazenses estiveram presentes no auditório do recinto, assim como líderes religiosos de Wenceslau Braz e de Arapoti e a vereadora Claudete Foganhole de Oliveira (PPS) do município de Nova Fátima.
O projeto foi apresentado pela professora Izabel Marson e voluntária da COESUS (Coalizão não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida) e da organização climática 350.Org, da cidade de Cornélio Procópio. Ela percorre a região Norte e Norte Pioneiro do estado apresentando o “movimento não Fracking (fraturamento)” que alerta sobre os danos que a atividade causa ao meio ambiente.
Segundo a professora, a técnica utilizada para a extração do gás de xisto polui a água do subsolo, consequência dos 151 mil litros de produtos químicos que são usados ??a cada fraturamento. Até 600 substâncias químicas são usadas nessa forma de extração, incluindo substâncias cancerígenas e toxinas conhecidas como urânio, mercúrio, metanol, rádio, ácido hidroclorídrico, formaldeído e muitas outras.
Além da emissão de metano que contribui no aquecimento global, a atividade também provoca micro sismos que em alguns casos desencadeiam tremores maiores que podem ser sentidos pelas populações locais. “Onde a técnica do fracking é instalada a vida deixa de existir, devido ao alto nível de poluição, há o aumento de casos de câncer, não podemos permitir que esse tipo de empreendimento se instale em nossa região devemos lutar pela vida em Wenceslau Braz e nas cidades vizinhas”, destaca Izabel.
Os vereadores de Wenceslau Braz acolheram o projeto e segundo o presidente da casa Beto do Esporte, o projeto será votado nas próximas sessões. “Realmente a situação é assustadora, nos empenharemos para que o projeto seja aprovado o mais rápido possível, também estaremos alertando os vereadores das cidades vizinhas sobre o perigo da extração do xisto através do fracking”, destacou Beto do Esporte.
Segundo Roberto Rodacki (PRP), a legislação brasileira prevê uma série de certificado e estudo para que uma pessoa possa abrir uma carvoaria, porém não há uma legislação específica para esse tipo de extração.
Izabel destacou que em regiões que aceitaram o fracking foram devastadas, em consequência da poluição que permanece por dezenas de anos. Além do município, outras localidades da região já estão colocando o projeto em votação. No final de 2016, o estado do Paraná foi o primeiro estado do país a proibir o fracking, contudo cada município precisa ter uma lei própria para proibir a ação.


