
A indignação tomou conta do brasileiro mais uma vez na última terça-feira (2), após o pronunciamento dos membros do Supremo Tribunal Federal, em especial do ministro Gilmar Mendes quando alegou tentativa de “intimidação” por parte do Ministério Público Federal que apresentou mais duas denúncias contra José Dirceu no mesmo dia do julgamento de seu habeas corpus.
Não acredito em intimidação, mas estou convicta de que os procuradores já sabiam que ele seria solto, mas queriam dar ainda mais motivos para que a população desacredite desse Supremo mais sujo que pau de galinheiro. O que soou pra todos foi que mesmo com todas as provas, algumas fresquíssimas, eles optaram por soltar José Dirceu, brincando mais uma vez com a impunidade e com o poder que a decisão dos ministros tem sobre qualquer forma de Justiça.
Justiça essa que foi sangrada com a soltura do ex-ministro praticante de crimes de recebimento de mais de R$ 2 milhões em propina até mesmo enquanto estava sendo investigado nos primeiros atos da Operação Lava Jato. A decisão traduziu bem a queda de braço que existe na cabeça de Gilmar Mendes, durante sua fala só faltou que ele exclamasse “Eu tenho a força!”, frase que ele disse implicitamente quando citou a tradição da casa e a sobreposição das decisões sobre o parecer de qualquer estância que ele considera inferior.
Além ofender abertamente os procuradores do MPF, demonstrou que desconsidera as provas judiciais, desde que seu ego seja imperativo sobre as decisões que outro tenha tomado. O que os juízes queriam evitar era exatamente o que aconteceu durante as investigações, que José Dirceu continue saqueando os cofres públicos e prejudique ainda mais o erário estando solto. Durante 2014 e 2015, ele já demonstrou que não será parado por uma tornozeleira eletrônica, nem irá deixar de agir de maneira criminosa. A única ação próxima de deter o ex-ministro foi sua prisão, derrubada nesta terça-feira pela arrogância e supremacia de uma corte que poderia chama-se conluio pela ignorância com que toma suas decisões descartando provas e priorizando o autoritarismo.


