Na última segunda-feira (29), foi realizada durante a sessão na Câmara de Vereadores mais um debate sobre o projeto de lei que visa novas regulamentações e sanções para o uso e aplicação do herbicida 2,4-D. Este foi o principal assunto em pauta.
Os vereadores tiveram a oportunidade de assistir uma palestra ministrada pelo fiscal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), Aislan Lucas de Oliveira Macedo. A possibilidade de poder observar o ponto de vista técnico de um profissional da área antes de votar o projeto, foi aplaudida pelos vereadores.
“Isto que vemos aqui hoje é um ato democrático. Isso é democracia, buscar o conhecimento técnico a fim de se decidir pelo bem não só de um lado, mas pela coletividade”, enalteceu a vereadora Margareth Ferreira (PSD).
O tema principal do debate foi a deriva dos agrotóxicos. “Deriva é todo aquele resíduo do agrotóxico que não atinge seu alvo, ou seja, que se dispersa pelo solo, água ou pelo ar”, explicou Aislan.
Segundo ele, essa ação pode ocorrer por diversos fatores, sendo os principais a má utilização do agrotóxico e manuseio dos equipamentos. “Os principais problemas ocorrem quando não há acompanhamento técnico e receituário agronômico. Não basta uma pessoa sair aplicando o agrotóxico, têm que se realizar análises sobre as quantidades necessárias, condições do clima, equipamentos utilizados para aplicação e etc.”, pontua.
Caso essas providências não sejam tomadas, os resultados da deriva podem impactar diretamente ao solo, plantas, água, alimentos e pessoas que tenham contato direto com o agrotóxico ou que residam perto do local de aplicação. “O cuidado e acompanhamento são essenciais, pois a deriva pode ocorrer desde a aplicação manual com bomba costal até o uso de avião, só vai mudar suas proporções”, relata o fiscal.
Após a apresentação, Aislan respondeu a algumas dúvidas dos vereadores e esclareceu sobre o assunto. A primeira votação deve ser realizada na próxima segunda-feira (5). Nesta semana, deverão ser encaminhadas por escrito as emendas propostas pelos vereadores.
Aislan concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal Folha Extra para esclarecer mais sobre o uso de agrotóxicos para os leitores. Confira abaixo:
Folha Extra - Através do acompanhamento se torna mais fácil verificar a deriva?
Aislan Lucas de Oliveira Macedo - “O técnico agrônomo, quando acompanha uma produção, sabe o histórico da área e tem um domínio do que está acontecendo. Desta maneira, é mais fácil para ele identificar, através do laudo, se os problemas com determinada cultura foram causados pela deriva ou por outros fatores”.
F.E - Se comprovado através dos laudos e realizado o B.O, será possível algum processo de indenização?
A.L.O.M - “Cabe a ADAPAR aplicar sanções administrativas como advertência ou multa pelo uso indevido do agrotóxico. Já a questão indenizatória, vai depender da interpretação do juiz e da promotoria em um processo judicial na vara responsável”.
F.E- Os responsáveis pela deriva e contaminação recebem algum monitoramento para uso de agrotóxicos no futuro?
A.L.O.M - “Todos os produtores do Estado têm o cadastro do receituário agronômico na ADAPAR e Conselho Regional de Agronomia (CREA). Quando é cometida uma infração por uso de agrotóxico ele recebe uma advertência e, em caso de reincidência, é aplicada uma multa. A penalidade aumenta se acontecer novamente”.
Na próxima sexta-feira (2), será realizada uma palestra com o tema “Soja, uso consciente do 2,4-D” às 08h00 na Associação do Banco do Brasil. O objetivo é promover acesso à informação e conscientização dos produtores sobre o uso do agrotóxico.


