A população compareceu em peso no auditório do Cinema Valéria Luercy que comporta aproximadamente 300 pessoas. As autoridades dos três poderes compareceram para explanar sobre o assunto e responder questionamentos da população.
Quem abriu a audiência foi o prefeito Juca Sloboda (PHS) que dedicou sua fala a divulgar as medidas que já foram tomadas para intensificar a segurança pública do município como iluminação em todos os bairros; quadras de esporte, oficinas interativas, cursos de informática, gincanas e teatros para tirar crianças e adolescentes da rua. “A soma de todas essas ações contribuem para que os jovens se tornem cidadãos de bem. Além de acolher, o Conselho Tutelar e Assistência Social também tem realizado centenas de abordagens de crianças que estão vivendo em situação de risco tendo seus direitos violados”, afirmou o prefeito.
Outras implantações também foram essenciais para que a segurança do município de pouco mais de 40 mil habitantes fosse aprimorada como a Patrulha Escolar, a Segurança Patrimonial, o aumento do número de investigadores da Polícia Civil e a entrega de três veículos 0 km para a Polícia Militar, Civil e Corpo de Bombeiros de Jaguariaíva. “A entrega acontece no próximo dia 27, mas já podemos comemorar a aquisição como conquista para a população”, completou Juca.
A vice-prefeita Alcione Lemos (PP) também esboçou sua preocupação com a segurança e compartilhou sua experiência como educadora e Secretária de Educação do município. “A responsabilidade desse setor é de toda comunidade, não tão somente dos políticos, mas da família que deve proporcionar aos filhos uma criação que lhe dê base de valores para inibir comportamentos criminosos futuramente”, opina Alcione.
“Desde 2009, quando assumimos a administração, implantamos a Rede, o Caps e Conselhos para tirar esses menores das ruas. Nós temos feito a nossa parte, mas é necessário que dentro dos lares haja uma mudança de consciência”, continua.
A juíza de Direito da comarca, Rafaela Mari Turra, fez um longo pronunciamento explicando alguns procedimentos tomados em relação aos adolescentes. Em uma de suas falas, respondeu ao questionamento popular acerca do curto tempo que os menores passam apreendidos. “Entendo a indignação de ver um menor infrator solto dias depois de ter cometido um crime, contudo a lei não permite que eles fiquem detidos por mais de cinco dias na delegacia, tempo que permanecem lá à espera de uma vaga no Cense em casos mais severos, contudo essas vagas são muito escassas e de 14 internações que pedimos, apenas dois pedidos são atendidos. Resumindo, não tem outra alternativa a não ser liberá-lo novamente”, explicou a juíza.
A magistrada também pontuou os programas de remissão de pena que ocorrem na cadeia pública municipal que atualmente conta com cerca de 90 presos.
O novo delegado que tomou posse na última semana também manifestou sua indignação com a violência e criminalidade no município, afirmando seu compromisso com o combate ao crime. “Em breve iniciaremos diversas operações em conjunto com a Polícia Militar e o Ministério Público, nas quais não haverá tolerância para situações irregulares”, afirmou Dérick Moura Jorge.
“Precisamos que a população não se omita, registre os boletins dando informações para que possamos realizar investigações”, completou o delegado.
CONSEG
Após meses pleiteando por uma nova formação do Conseg (Conselho de Segurança Municipal), os poderes do município elegeram os membros e reativaram a instituição.
O novo presidente é o advogado Giuliano Miranda que já adiantou algumas ideias para serem executadas pela comunidade, além de parabenizar a atitude do prefeito na instalação de câmeras. “Já pensamos nessa iniciativa no Conseg, contudo não temos recursos financeiros para executar o projeto que custa em torno de R$ 200 mil por equipamento”, afirma.
Miranda ainda explicou que o conselho não tem recursos próprios e vive de doações, utilizando a oportunidade para pedir a colaboração da população.
SOLUÇÕES
Além dos programas já em andamento em Jaguariaíva, outras sugestões foram apresentadas como a instalação de câmeras em pontos estratégicos, além do aumento do efetivo militar que atualmente é de cinco policiais por equipe.
Sobre a instalação de câmeras, o prefeito Juca garantiu que em breve será feita uma licitação para a aquisição dos equipamentos, os mesmos filmarão em alta resolução e com alcance de 360°.
A promotora de Justiça Rosangela Rodrigues de Oliveira, apresentou uma sugestão para solucionar o problema das vagas no Cense (Centro de Socioeducação). “Para conseguirmos uma possibilidade maior e mais próxima de internação para esses menores, seria necessário que uma unidade do Cense fosse aberta em Jaguariaíva. Esse pedido pode ser encaminhado ao Governo do Estado através do prefeito Juca e da câmara de vereadores”, apontou a representante do Ministério Público.
POPULAÇÃO
Em um espaço aberto no final da audiência, a população pode elaborar perguntas às autoridades presentes, contudo na maioria das falas, os pedidos eram de que as soluções fossem mais imediatas e não a longo prazo.
Alguns moradores relataram ter sido vítimas de situações de furto e roubo à mão armada, mas atribuíram o fato ao crescimento do município que possui grandes indústrias e uma receita alta.
Outra pergunta foi acerca da Guarda Municipal, questão respondida pelo Tenente Leandro de Azevedo Thereza que é comandante da 3ª Cia da PM em Castro, responsável pelo destacamento de Jaguariaíva. “Para estabelecer uma Guarda Municipal é necessário que a cidade tenha no mínimo 50 mil habitantes, o que não é o caso de Jaguariaíva. Outro fator que a população precisa entender é que a Guarda não faz o trabalho da polícia e nem todo agente pode andar armado”, finalizou.
Outras autoridades estiveram presentes, como o presidente da câmara dos vereadores, Marcos Pessa Filho, o Marquito (PHS); o delegado chefe da Polícia Civil de Ponta Grossa, Danilo Cesto; o comandante do destacamento da PM, sargento Vitor Paulo Onisko e o presidente da Aciaja (Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Jaguariaíva) Thiago Banack.



