Após a divulgação dos resultados prévios do recadastramento biométrico, a população de Tomazina, como a de muitos municípios do Paraná, corre o risco de perder o cartório eleitoral da comarca que abrange também Pinhalão e Jaboti e soma 17,2 mil eleitores.
A justificativa é de que a 19ª Zona Eleitoral não tem eleitores suficiente para justificarem as despesas que geram para a união. Apesar de serem apenas dois servidores no prédio, o chefe do cartório, um analista técnico, além de um estagiário e uma copeira terceirizada que desempenha a atividade de serviços gerais; configurando uma equipe já enxuta.
O juiz responsável pela Zona Eleitoral, Oto Luiz Sponholz Junior explica que a geografia do município é muito peculiar, pois alguns bairros como Sapê, Barro Preto, Barra Mansa, Bairro da Anta, chegam a estar à 40 km da cidade com estradas sem pavimentação.
“A extinção dessa zona eleitoral vai causar para o município uma série de prejuízos, só aqui em Tomazina existem mil quilômetros de estradas rurais não asfaltadas, temos cerca de cinco mil habitantes espalhados pela zona rural, muitos deles não tem carro e dependem do transporte municipal para participarem do processo democrático, acompanhando e até mesmo fiscalizando”, explica o juiz.
A população rural é mais densa que a própria porção da população urbana. De acordo com o juiz, cerca de 80% desse eleitorado depende de transporte público.
Com o fechamento do cartório, haverá uma limitação de direito, sendo que de acordo com a Constituição Federal a população deve ter seu direito assegurado para participar do processo eleitoral, de denunciar, de ter acesso a informações, de poder fiscalizar e efetivamente fazer parte da Justiça Eleitoral.
O chefe do cartório Wagner Augusto Martins de Aguiar também lamentou a situação e citou algumas funções do local que ficarão comprometidas com o deslocamento do fórum pra outro lugar. “As pessoas vem aqui para conferir editais, resoluções, regularização de documentação, caso o cartório seja extinto o trajeto ao qual a população será submetida tornará esses processos ainda mais dificultosos. O controle da corrupção e da ilegalidade eleitoral será muito prejudicado”.
O prédio do fórum inaugurado em outubro de 2013 custou R$ 396 mil e foi instalado no município para proporcionar um atendimento mais ágil e eficaz ao eleitor, que aguarda a emissão do seu título com conforto e por poucos minutos.
Devido à distância em que algumas comunidades se encontram, já foi gasto uma quantia considerável para realizar a biometria, com o deslocamento do cartório, os gastos com transporte de pessoas serão constantes, pois qualquer procedimento eleitoral exigirá do Poder Público a disponibilização de veículo, motorista e combustível.
BAIRROS DISTANTES
Em entrevista com alguns moradores de bairros distantes como o Matão, foi possível perceber que a população está ciente dos prejuízos que o remanejamento irá acarretar.
Claudineia Aparecida de Souza da Rosa reside no bairro citado que fica à aproximadamente 30 km do Centro de Tomazina. “Isso vai dificultar ainda mais o acesso, além de colocar mais cidades junto com outra que já tem bastante população, na minha opinião, isso prejudica a fiscalização”, comenta Claudineia.
O eleitor que reside no Bairro da Balsa em Jaboti, Marcílio, também foi questionado sobre o rezoneamento. “Eu sou contra o fechamento, pois seria mais um órgão que sai daqui da nossa região e nos torna dependente de cidades maiores”.
Ainda não se sabe qual cidade absorverá a zona eleitoral, mas ao que tudo indica, será para Ibaiti que fica à 31 km de Tomazina, ou para Santo Antônio da Platina, ainda mais distante, à 74 km do município tomazinense.
MANIFESTAÇÃO
Na última segunda-feira (17), a câmara dos vereadores colocou a situação em pauta para que se torne de conhecimento de toda população o possível fechamento. O presidente da câmara, Adalberto Sanches da Silva, o Betão (PMDB) manifestou sua opinião contrária. “A Justiça Eleitoral não deve considerar os eleitores apenas como um número, mas sim a população que tem sido alcançada desde a inauguração do local. Não somos um número, somos eleitores que merecem respeito”.
A subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Wenceslau Braz também é contra o rezoneamento.
Nesta sexta-feira (21) o juiz Oto convida toda população para uma audiência pública que tratará desse assunto e abrirá uma discussão no intuito de colher a opinião da sociedade à respeito. A audiência acontecerá às 18h no Ginásio da Apae em Tomazina.


