A adoção é a maior forma de amor que alguém pode demonstrar a outra pessoa, é dar carinho paternal ou maternal a uma criança que muitas vezes se encontra fragilizada.
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Enquanto estas crianças não encontram um abrigo, elas vão para as casas lares, essas instituições acolhem as crianças que estão em situações de risco, com idades entre 0 a 18 anos, dando a elas a oportunidade de poderem conhecer uma nova família.
Para traçar o perfil de risco dessas crianças, é realizado um acompanhamento feito pela equipe técnica do Conselho Tutelar e, quando chega à situação extrema, eles fazem a busca da família extensa das crianças, que seriam os parentes próximos. Caso estes familiares não tenham como ficar com o menor, o Ministério Público e o Judiciário são acionados.
Ao darem entrada no lar, as crianças são acompanhadas por uma equipe técnica composta por assistente social, psicólogo e pedagogo dentro das escolas. Os cuidados médicos são realizados de acordo com a necessidade das crianças, sendo feito um checkup a cada seis meses.
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A instituição de Siquera Campos atende sete acolhidos, com idade entre três a 17 anos, os principais motivos que levam as crianças para os lares são negligências e maus tratos, como é o caso das crianças que estão na casa atualmente; outro motivo é o abandono.
Coordenadora do lar há 3 anos e 5 meses, Silvana Maria V. de Oliveira, conta que as crianças não são retiradas de imediato da casa dos pais. “As famílias recebem um acompanhamento para acolher novamente as crianças, durante esses trâmites alguns retornam, mas quando os acompanhamentos não surtem efeito, as crianças vão para o abrigo”, explica a coordenadora.
Silvana comenta que a cada dia ela cria um laço fraterno com as crianças. “Nós criamos um laço desde o dia que entramos aqui, chamamos atenção e cuidamos como se fossem os nossos próprios filhos. Aqui dentro nós somos uma família”, comenta.
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“Os laços criados são fortes e duradouros. Tem uma menina que viveu aqui por anos, hoje ela está com 20 anos e já saiu do lar, entretanto, continua me chamando de mãezona e quando precisa de conselhos ela me liga, são coisas como esta que fazem o nosso trabalho valer a pena”, afirma Silvana.
EM IBAITI
No município de Ibaiti, somente neste ano, aconteceram quatro adoções e, no momento há apenas uma criança que pode ser adotada. Em média, as crianças possuem idade entre um a 12 anos e são vítimas da negligência dos pais.
Com 15 crianças abrigadas na instituição, todos os envolvidos diariamente com o lar tem um amor inexplicável pelos internos.
A mãe-social Silmara de Souza, está há 13 anos desempenhando serviços na casa lar do município e fala sobre seu carinho pelas crianças. “Desde a criação da casa eu trabalho aqui, sinto que sou mãe dessas 15 crianças e cuido delas como se fossem meus próprios filhos. Temos um amor muito forte uns pelos outros e isso nos torna uma família. Todo carinho e afeto que eles têm por nós torna nossa vida mais prazerosa e recompensadora”, relata.
As crianças de ambos os lares executam atividades nas creches e escolas, além de desenvolverem visitas no município.
DE COORDENADORA PARA MÃE
Antes do atual cargo, Silvana já havia trabalhado na casa lar e, desde o início desenvolveu tanto amor pelas crianças que acabou se tornando mãe de uma delas. “Eu adotei meu filho quando ele tinha dois anos, hoje ele está com 12 e o amor que eu tenho por ele é imensurável”, comenta emocionada.
“Filho é filho, eu não gosto dessa conotação de filho adotivo, a partir do momento que você adota ele é seu e não tem mais o que falar”, completa.
A coordenadora destaca a importância da adoção, tanto na vida da criança como na dos futuros pais. “A adoção vale a pena e é muito gratificante, nós esquecemos que o filho não foi gerado dentro de nós. A justiça muitas vezes é morosa, mas vale a pena e, de certa forma é bom, porque trabalhamos nós mesmos. A espera acaba sendo como uma gravidez, no meu caso foram nove meses e dez dias de espera para conseguir a guarda dele”, explica.
Silvana conta que durante os trâmites da adoção pensou em desistir. “Durante esse período, eu pensei em desistir, achava que não ia dar certo, mas no final toda essa espera valeu a pena e foi acima de tudo gratificante. O dia que recebemos a guarda veio a insegurança em pensar se iríamos dar conta, mas estou feliz, pois eu e meu marido conseguimos e tenho certeza que assim como nós outros pais também vão conseguir”, finaliza.
A ESPERA DA ADOÇÃO
O casal Graziela Gouvêa Draghi e Rafael Draghi, antes mesmo de se conhecerem já tinham o sonho de adotar uma criança e, ao firmarem o relacionamento, esta vontade só aumentou e hoje se preparam para realizar esse sonho. “Estamos casados há 14 anos, compartilhamos da mesma vontade e isso só se fortaleceu quando nos unimos. Nós sabemos como é difícil o processo de adoção, estamos nessa luta por amor”, afirma Graziela.
O casal pretende adotar uma criança especial e Rafael conta um pouco sobre esta vontade. “Nós queremos ter os nossos filhos biológicos, mas, mesmo assim, temos o desejo de adotar uma criança com Síndrome de Down. Meu cunhado é especial, e eu vejo nele uma das pessoas mais espetaculares que eu já conheci em toda minha vida, através da adoção, queremos ter a oportunidade de ter o nosso filho especial”, comenta emocionado.
Graziela comenta que sabe que a responsabilidade de quem adota é muito grande, mas o que move essa vontade é o amor. “A responsabilidade de quem adota é maior porque você tem que fazer com que a criança se sinta seu filho, não é só a questão do amor, mas também da confiança, pois, normalmente elas ficam com um pé atrás por terem sido abandonadas e terem vivenciado histórias difíceis”, avalia.
O dois acompanham outros casais que escolheram a adoção e aconselham outras pessoas que também adotem. Segundo eles, este é um ato de amor maior que alguém pode ter, um amor que nasce do coração e supera tudo.