Não foi um acidente. Foi um crime com dolo, que ainda está impune, essa foi a conclusão das investigações sobre a tragédia que interrompeu três vidas no mês de julho.
A cena que se formou no km 79 da PR-272, na tarde do dia 23 de julho deste ano, soava como uma ironia do destino, quando o morador de Ibaiti, Alcides Roberto França de Lima, foi o único sobrevivente de um acidente que, ao que indica o inquérito, ele mesmo causara.
Indignada com a situação, a população do Norte Pioneiro acompanhava o drama do resgate das três vítimas ocupantes do Fiat/Prêmio, enquanto que, na Mitsubishi/Triton de Alcides, conhecido como Betinho do Lava Car, policiais e testemunhas observavam latinhas de cerveja já consumidas.
Betinho voltava do rodeio de Pinhalão transportando um cavalo, quando invadiu a pista contrária, entre Japira e Pinhalão, e colidiu com o veículo onde estavam as três vítimas. O condutor Saulo Azevedo de Oliveira, de 42 anos, e o passageiro Deivid da Silva de Paula, de 15 anos, morreram na hora. A terceira vítima, David Junior Vaz, também de 15 anos, chegou a ser socorrido, mas morreu a caminho do hospital. O grupo de Figueira representava um veículo de comunicação regional e estava a caminho do rodeio para registrar imagens.
Com indícios de embriaguez, de acordo com as testemunhas, Betinho se recusou a fazer o teste do bafômetro, mas cedeu uma amostra de urina para um exame de alcoolemia. Ele foi levado para o Hospital Municipal de Ibaiti e, posteriormente para a 37ª Delegacia Regional de Polícia de Ibaiti, onde seria interrogado pelo delegado de plantão, contudo, alegando dores e mal estar, Betinho retornou para o hospital.
Durante toda investigação, Betinho respondeu em liberdade, pois se tratando de crimes de trânsito, se o motorista não foge do local ou não é comprovado no momento que ele está bêbado, não é detido.
INDICIADO
Passados quase cinco meses, o delegado titular Pedro Dini Neto concluiu o inquérito e indiciou o motorista por homicídio doloso. No entendimento do delegado e mediante às provas, Betinho estava embriagado e em alta velocidade, assumindo o risco de matar e configurando o dolo eventual. “A embriaguez ficou demonstrada por análise clinica e prova testemunhal, além das latas de cerveja no carro do indivíduo”, pontua Pedro.
De acordo com o delegado, caso não apresente nenhum comportamento que prejudique o processo, Betinho responderá em liberdade.
A documentação já foi entregue à Justiça. Se condenado, Betinho pode cumprir pena de seis a 20 anos.


