O ano começou e no embalo das contas de início de ano, muitas famílias já precisam se preocupar com a compra do material escolar dos filhos. Esse é um item indispensável e que exige atenção, devido à diferença de valores dos artigos que compõem a lista de materiais.
Muitas vezes o marketing chama a atenção das crianças e faz com o custo dos materiais fuja do orçamento familiar. Em um levantamento feito pela Folha Extra percebe-se que o custo entre os materiais básicos e os personalizados podem variar de R$ 54 à R$ 393.
Com isso, alguns alunos não têm condições de adquirir materiais mais caros e, consequentemente, acabam se sentindo de fora das tendências na sala de aula.
Quem acompanha as crianças diariamente, pode observar esta realidade ainda mais presente na vida dos alunos. Para falar a respeito disso, nada melhor que uma educadora. Há 11 anos exercendo a profissão, a professora de 1º ano, Luciana G.Vaz Sene, relata que presenciou vários momentos de diferenciação dentro de sala de aula.
“Por vários momentos eu presencie alguns dos meus aluninhos observando aqueles outros que tinham melhores condições e podiam comprar materiais de personagens, em alguns casos eu mesma dei materiais para poupar o sofrimento deles”, relata a professora.
Além disso, Luciana afirma que as crianças se sentem inferiores, pois os materiais personalizados atraem atenção para quem tem. “As crianças são inocentes e não entendem que, algumas vezes, os pais não têm condições de comprar o material que eles desejam, essa situação me entristece muito e posso dizer que é muito complicado lidar com isso, pois é uma minoria que utiliza os materiais básicos”, afirma.
DICAS
De acordo com a psicóloga da Secretaria Municipal de Educação, Aline Nascimento, o primordial é ver a necessidade dos materiais, pois em meio ao imediatismo e ao consumismo, as crianças aprendem com a sociedade que estimula a compra.
“A mídia divulga o tempo todo produtos de personagens e isso gera uma necessidade de consumo e, diante disso, os pais precisam tomar cuidado para não acabar incentivando esse comportamento nas crianças”, relata.
A psicóloga ainda afirma que esse é o momento de conversar, impor limites e mostrar para as crianças que elas podem sim comprar um caderno ou um lápis de personagens, mas da mesma forma poderiam utilizar os básicos, além disso devem demonstrar para os filhos que o gasto alto com os materiais pode comprometer a renda da família.
No entanto, apesar do anseio da criança, são os pais que devem estabelecer o limite do valor a ser gasto, pesquisar os preços em diferentes lugares, planejar como será a compra e combinar com a criança um item que pode ser do gosto dela e do tamanho do bolso dos pais.
Contudo, segundo Aline, não se deve excluir a criança dessa compra de materiais, pois é importante que esta participe e aprenda a fazer escolhas, ciente de que tudo tem um custo e que é necessário controlar o próprio consumo.
ORIENTAÇÃO
A psicóloga afirma que é importante orientar as crianças, pois nesta fase elas aprendem o tempo todo, deve-se valorizar o que elas pensam, mas, ao mesmo ensinar a manter o equilíbrio quando forem às compras. “Não adianta dar tudo que as crianças querem e deixar elas decidirem, a última palavra deve ser sempre dos pais”, finaliza.


