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Anabolizantes: resultado alcançado, riscos desconhecidos

Anabolizantes: resultado alcançado, riscos desconhecidos

Primobolam®, Deca Durabolin®, Winstrol, Durateston®, Somatrofina®, Oximetolona®. Se você nunca ouviu falar nesses nomes deve continuar lendo essa matéria. Se já ouviu e teve contato com essas substâncias, você, obrigatoriamente deve ler essa matéria.

Lapidar os músculos, chegar ao corpo ideal ou até mesmo ser considerado uma escultura humana é o sonho de muitos atletas e esportistas, mas por trás de uma vida aparentemente saudável e pautada em exercícios físicos, existe um mundo obscuro  onde o sonho acaba se tornando pesadelo.

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Os esteroides anabolizantes, como são chamados, ou popularmente conhecidos como “bombas”, são drogas relacionadas ao hormônio masculino Testosterona fabricado pelos testículos. Os anabolizantes possuem vários usos clínicos, nos quais sua função principal é a reposição da testosterona nos casos em que, por algum motivo patológico, tenha ocorrido um déficit.

Mas o que essas substâncias em excesso podem acarretar ao corpo? Para saber mais sobre o assunto, a Folha Extra esteve com Davi Miguel da Silva Filho, que comentou sobre o assunto que vaga pelos corredores das academias.

Atuante na área há 26 anos, Davi é formado em Administração e Educação Física, participou de atletismo por dez anos. Proprietário de academia há cerca de 20 anos, Davi afirma que nunca foi adepto ao uso de anabolizantes, por acreditar que sacrificar a saúde pela estética não vale a pena. “Anabolizante, na minha opinião, mesmo usado sob orientação médica, não é legal, não traz benefício nenhum, se usado de maneira desregrada então, traz ainda mais consequências negativas”, afirma.

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“Quando falamos em anabolizantes, estamos lidando com substâncias que irão dividir suas células, multiplicar qualquer célula é perigoso. Além do fato que, principalmente os esteroides, provocam retenção de líquido, os músculos parecem estar maiores, quando, na verdade, podem estar inchados, cheios de água”, explica Davi.

O instrutor também enfatiza que nada faz efeito se não associado à exercícios e dieta balanceada, por isso, muitas vezes o que é atribuído somente ao anabolizante sintético, acaba sendo um efeito da própria disciplina no dia a dia. “Como esses ciclos de esteroides acabam custando altos valores, a pessoa tende a treinar e se alimentar certinho, isso é o que faz efeito. Tanto que se a pessoa utilizar o anabolizante e não fazer o treinamento e alimentação corretos, ela vai crescer desregulamente e sem a aparência desejada”.

Um estudo da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) feito em 2016 constatou que o uso entre jovens aumentou 84% nos últimos anos. O chamado “doping da beleza” é historicamente mais utilizado por homens, contudo o uso entre as mulheres tem tido um crescimento acelerado.

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Davi tem vasta experiência no assunto e por sua academia também já passaram mulheres adeptas aos anabolizantes que, segundo ele, as mudanças corporais são, em sua maioria, masculinizadas. “Nas mulheres o ciclo menstrual desregula, a voz engrossa, o formato do rosto muda e se a mulher está grávida e faz uso de anabolizante, a tendência é que o feto seja alterado, se é menina masculiniza, se é menino pode feminizar”, ressalta.

 

                 CARO E PERIGOSO         

Além dos riscos, os chamados ciclos, tem um alto custo. Com duração de aproximadamente seis meses, os complexos de ampolas podem custar de R$ 200 à R$ 2 mil. Sua aplicação é comumente intramuscular, podendo ser via oral ou intravenosa. Vai direto pra corrente sanguínea.

“É uma luta em ciclos, a pessoa toma uma substância para reter líquido e crescer, depois precisa tomar outro para secar e definir, ao mesmo tempo tomando algo para dar ânimo, tudo isso somado à uma dieta que muitas vezes está totalmente errada. Ou seja, a pessoa gasta dinheiro e pode até morrer devido à esse uso indiscriminado”, cita Davi.

É importante lembrar que em alguns corpos, essas substâncias são totalmente danosas, registrando, inclusive, mortes precoces pelo uso. Como ocorreu no ano passado com a jovem baiana Jessica Avelino Morais, de 25 anos. Durante um exercício na academia, Jessica passou mal, pediu desculpas à família por usar os anabolizantes, e veio a óbito.

Outra morte registrada recentemente foi a do fisiculturista paulista Mateus Ferraz, de 23 anos. O médico Marco Calçada, que atendeu o atleta, afirmou que o motivo da morte foi mesmo a aplicação em excesso das chamadas 'bombas'.

 

HORMÔNIO, HORMÔNIO, HORMÔNIO

O uso de anabolizantes se potencializou no Brasil nos últimos dez anos, quando o acesso à internet chegou na maioria das casas brasileiras. A busca pelo corpo ideal se pautava principalmente nos modelos que apareciam na rede, com músculos definidos e uma rotina de produtos e exercícios que prometiam deixar qualquer pessoa com a forma dos sonhos.

Em 2017, durante um estudo sobre esteroides, os pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) também concluíram que a utilização de doses elevadas de anabolizantes aumenta a produção de radicais livres em tecidos como fígado, rins e coração.

“As doses utilizadas por esses indivíduos chegam a ser 100 vezes maiores que as concentrações fisiológicas de testosterona. Estão associadas a uma série de efeitos colaterais que variam de acordo com a dose e o tempo de administração das drogas, sendo alguns deles irreversíveis”, alertam os pesquisadores.

Os anabolizantes tem sim sua indicação médica, quando se trata de eficiência de testosterona. Porém, quando consumida por quem tem níveis normais desse hormônio, as consequências tendem a ser devastadoras para a saúde: vão de acne à impotência sexual, infertilidade, e até a morte.

 

           VENDA CRIMINOSA         

Apesar de todos os alertas, em uma busca mais aprofundada, é possível ter acesso aos produtos que potencializariam os resultados e abreviariam o tempo de espera de dentro de casa, através da internet, sem nenhuma restrição.

Outra forma de comércio é no Paraguai, onde esse tipo de droga é liberada. Contudo, apesar da facilidade, os produtos nem sempre são de procedência confiável, pois muitas “bombas” são falsificadas e acabam não fazendo efeito algum.

O comércio dos químicos anabolizantes é proibido no Brasil, por isso qualquer forma de venda é considerada clandestina e ilegal.

O delegado de polícia Isaías Fernandes Machado ressalta que a venda de qualquer produto que não esteja registrado na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) brasileira é considerado crime, como especifica o parágrafo 1º B do Art. 273 do Código Penal.

“Se alguém for pego vindo com esse tipo de produto sem receita, com intuito de venda, o enquadramento é mais grave que o próprio tráfico de entorpecentes, sob pena de reclusão entre 10 a 15 anos”, afirma o delegado.

“Uma denúncia, por exemplo, pode pautar um mandado de busca no lugar onde pode estar sendo feito esse comércio. Após a abordagem e constatação, a circunstância e quantidades já configuram o crime”, explica Isaias.

Quando se tratam de anabolizantes registrados na Anvisa, a venda é permitida somente sob prescrição médica, tendo que ser comprovado, através de exames, a necessidad

e de reposição hormonal e, mesmo assim, cinco é o número máximo de doses que podem ser receitadas.

Infelizmente, quando não são trazidos clandestinamente do Paraguai, são vendidas por “receituário branco”, ou seja, sem nenhuma cerimônia, os médicos expedem receitas para que pacientes comprem os produtos para “crescer”.

 

NÃO EXISTE MILAGRE

Observando todas as informações sobre anabolizantes é possível perceber que o resultado estético pode aparecer rápido e durar pouco, mas as consequências para a saúde só se tornam perceptíveis a longo prazo, sendo muitas vezes irreversíveis.

“Quem chega na academia quer que os exercícios deem resultado o mais rápido possível, mas o nosso corpo precisa de tempo e estímulo para se desenvolver de forma saudável. É uma junção de alimentação correta e exercícios bem feitos, não existe milagre”, afirma Davi.

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