Se fosse para escolher uma cor que representasse a fatídica PR-092, esta cor seria preto plastificado, o mesmo tom usado para cobrir as vítimas fatais de suas estradas.
395 km de extensão, cortando aproximadamente 20 municípios, a rodovia já fez centenas de vítimas em suas curvas que, em alguns trechos, não tem nem mesmo um acostamento.
A maioria dos acidentes é atribuído à imprudência dos motoristas, não sendo uma inverdade, mas, quando se trata da PR-092, some as “loucuras” a uma estrutura desgastada e um tráfego acentuadíssimo, onde dezenas de milhares de veículos passam todos os dias.
Ligação principal entre os Campos Gerais e o Norte Pioneiro, o número de acidentes na PR-092 é exorbitante. Segundo dados levantados pela Polícia Militar Rodoviária Estadual, o número de mortes diminuiu desde 2015, contudo, os índices de acidentes continuam altos, cerca de 1,3 por dia, somando 1.487 acidentes.
Apesar de possuir até trechos não pavimentados, como o caminho para Cerro Azul, por exemplo, o foco do caos ocorre em cerca de 124 km que vão de Jaguariaíva ao entroncamento da BR-153, em Santo Antônio da Platina.
As discussões para a duplicação já vem de longa data, mas sem previsão para se tornarem realidade. Em setembro de 2015, a “rodovia da morte” estava a um passo de ganhar sua tão sonhada duplicação, quando o governador Beto Richa (PSDB) anunciou que, em 2016, as obras iniciariam, contudo, os planos ficaram só no papel.
Apesar de, principalmente devido ao fluxo intenso, todo o trecho ser considerado perigoso, alguns pontos peculiares batem recordes em acidentes, como o perímetro urbano de Siqueira Campos, no qual existem três trevos, além da curva do Fiats, próximo a Joaquim Távora, que também possui um trevo já afamado pelas inúmeras mortes.
No perímetro de Wenceslau Braz, a chamada “Curva da Zona”, é quase uma “tombadora” de veículos, sendo recentemente equipada com um redutor de velocidade.
Entre Arapoti e Jaguariaíva, o excesso de curvas, falta de acostamento e sinalização, também já foram protagonistas do drama daqueles que presenciaram o sofrimento, o sangue e a morte de entes queridos.
Com a instalação de redutores e a manutenção constante das vias, o número de acidentes reduziu gradualmente desde 2015, tendo um decréscimo considerável no número de mortes, mas nenhuma medida parece sanar a onda de acidentes que continua ceifando vidas.
Seria a duplicação uma solução? Quem sabe uma redução, mas porque ainda não? Em nota emitida à Folha Extra, o DER (Departamento de Estradas e Rodagens) afirmou o valor das tarifas seriam inviáveis, caso o trecho fosse duplicado. “Sendo contextualizada desde 2014, em 2015 técnicos do DER-PR realizaram estudos econômicos e de tráfego de veículos que apontaram um alto valor das tarifas se houvesse a duplicação da PR-092. A tarifa necessária para equilibrar os investimentos em duplicação seria seguramente a mais cara do Estado e por isso esta ideia não foi adiante. Em 2015, a estimativa é que a duplicação custasse aproximadamente R$ 664 milhões. O DER-PR está no momento contratando projetos de implantação de terceiras faixas para aumento de capacidade daquela rodovia”.
E você, quantas vidas já viu essa rodovia ceifar?







