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Santana do Itararé inicia produção de alimentos sem agrotóxicos

Santana do Itararé inicia produção de alimentos sem agrotóxicos

Depois de terem sido utilizados como arma química na primeira e segunda Guerra Mundial, os agrotóxicos passaram a ser muito utilizados na agricultura a fim de combater pragas no cultivo de diversas espécies vegetais. Porém, usá-los de forma desmedida traz riscos tanto à saúde daqueles que se expõem a essa substância, ao aplicá-la na plantação, quanto à dos consumidores, que compram frutas, legumes e verduras.

Os males causados pelos agrotóxicos vão desde toxicidades agudas até câncer e doenças neurológicas. Além disso, essas substâncias também são um risco para o meio ambiente, pois poluem as águas e contribuem com o aquecimento global. Pimentão, pepino, alface, morango e uva são alguns dos alimentos que apresentam os maiores índices de agrotóxicos.

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A alternativa é o cultivo de alimentos orgânicos ou agroecológicos.

 

                    PRODUTOS SEM AGROTÓXICOS                   

 

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Embora ainda no início, o município de Santana do Itararé já começa a produzir produtos sem o uso de agrotóxicos e com o objetivo de divulgar e propagar as técnicas de produção aos agricultores do município, a Secretaria Municipal de Agricultura vem promovendo desde dezembro de 2017 cursos, palestras, dias de campo e reuniões periódicas com produtores para ensinar técnicas de cultivo.

“Estamos periodicamente organizando encontros com os produtores interessados para divulgar o sistema agroecológico. Para essa tarefa contamos com o apoio e acompanhamento da produtora de alimentos agroecológicos e médica veterinária Vanessa Issuzu que junto com o seu esposo Sergio são os pioneiros no cultivo de produtos agroecológicos no município”, destaca Valter Patriarca da Secretaria Municipal de Agricultura.

A produtora Vanessa cita que, apesar de serem um grupo pequeno, eles são conscientes do que produzem. “Sempre tivemos a certeza que esse era o caminho para uma vida mais saudável, tanto para nós, que produzimos como para o consumidor que vai receber um alimento sadio e livre de contaminação por agrotóxicos. Embora ainda tenha quem duvide que seja possível produzir alimentos sem uso de nenhum agrotóxico”, comenta.

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Já o engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal da Agricultura, Amaro Valcazara, responsável pela organização e pelo acompanhamento aos produtores, lamenta que boa parte da formação técnica é voltada à agricultura convencional. “É preciso mudar essa lógica para estimular o crescimento da produção de alimentos sem o uso de agrotóxicos”, destaca.

Para o produtor de morango e de goiaba, Chico Roque, que faz parte do movimento, as práticas aprendidas permitem produzir alimentos mais saudáveis com custos mais baixos. “Bom para o bolso do produtor e para a saúde de quem consome nossas frutas”, explicou.

Outro entusiasta do movimento, o produtor Joaquim Fernandes, acredita que isso representa um salto para o futuro. “Logo o pessoal vai vir comprar aqui e assim o nosso produto vai ser mais valorizado”, destaca.

Felizes com a iniciativa e com a oportunidade de aprender mais e melhorar a produção, os agricultores seguem empolgadas com o aprendizado das novas técnicas e com a certeza de que vão colher em breve os benefícios da “mudança”.

Além do acompanhamento dos técnicos locais o movimento conta com apoio e suporte dos técnicos do Neat (Núcleo de Estudos de Agroecologia e Territórios) da Uenp (Universidade Estadual do Norte do Paraná) – Campus Luiz Meneghel em Bandeirantes – que orientam e assessoram os produtores para fazerem parte do programa de certificação de produtos orgânicos do Paraná.

 

               ORGÂNICO X AGROECOLÓGICO           

 

Por estarem intimamente ligados a questão do natural, acaba existindo uma confusão entre as nomenclaturas. Na verdade existe uma grande diferença entre alimento orgânico e alimento agroecológico.

A agroecológia é a junção harmônica de conceitos das ciências naturais com conceitos das ciências sociais. Tal junção permite o entendimento acerca da Agroecologia como ciência dedicada ao estudo das relações produtivas entre homem-natureza, visando sempre à sustentabilidade ecológica, econômica, social, cultural, política e ética.

Basicamente, a proposta agroecológica para sistemas de produção agropecuária faz direta contraposição ao agronegócio, por condenar a produção centrada na monocultura, na dependência de insumos químicos e na alta mecanização, além da concentração de terras produtivas, a exploração do trabalhador rural e o consumo não local da respectiva produção.

Ou seja, as práticas agroecológicas podem ser vistas como práticas de resistência da agricultura familiar, ao processo de exclusão do meio rural e homogeneização das paisagens de cultivo.

Já o orgânico pode ser agroecológico ou não. Os produtos orgânicos não fazem uso de produtos químicos sintéticos ou alimentos geneticamente modificados. A filosofia dos alimentos orgânicos não se limita à produção agrícola, estendendo também à pecuária e também ao processamento de todos os seus produtos.

Além disso, esses produtos por serem orgânicos não os livram de serem produzidos nos moldes da agricultura convencional ou da monocultura, eles apenas não usam agrotóxicos como principal meio de combate as pragas.

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