Sobrepeso e amor próprio. Questão delicada que anda sobre a linha tênue entre uma vida saudável e as reais consequências da obesidade. O fato é que muitas pessoas são criticadas quando resolvem deixar alguns quilos para trás e começar uma vida nova, no entanto, não se pode julgar o que cada um carrega dentro de si, sendo gordo ou magro.
Karoline Souza, uma brazense de 26 anos, apesar de ser alvo constante de críticas direcionadas ao seu peso, não deixou que isso a abatesse, mas o que levou a professora à nocaute foram os indícios de que a saúde não ia bem. “Eu tentava fazer exercícios, regrava minha alimentação, mas o corpo não reagia mais, chegava à marca de 10 quilos perdidos e estacionava. Os aeróbicos mais pesados não eram possíveis, pois eu sentia dor no joelho, a depressão me rondava. Eu tinha que tomar uma decisão”, afirma Karoline.
>>>>>VEJA O VÍDEO ABAIXO
Realizando shows como cantora ao lado da irmã, quando chegou aos 98 kg, Karol, como é chamada, resolveu entrar na fila da gastroplastia, a popular bariátrica. Procedimento antes restringido à pacientes que mal conseguiam sair da cama, com obesidade mórbida, ou riscos imediatos à saúde, atualmente se estende à casos menos agressivos e menos emergenciais, com índice de massa corporal (IMC) acima de 40.
Vítima de inúmeros preconceitos e frases maldosas, a professora relembra como diante das pessoas, os quilos a mais cobriam até mesmo sua personalidade. “Muita gente tinha vergonha de sair comigo. Em um dia de apresentação importante pra mim, me contaram que algumas pessoas disseram que não iriam sair de casa para ver ‘aquela gorda’, isso deixa nossa auto estima totalmente destruída, comecei a ter sinais de depressão”, relembra.
Em 19 de maio de 2017, Karol se submeteu ao bypass gástrico, que consiste na redução do estômago e na alteração do intestino, levando o paciente a comer menos, acabando por perder peso.
O procedimento mudou a vida da professora, que ainda está em processos de emagrecimento pós-cirúrgico, mas já perdeu cerca de 40 kg.
"Quando fiz a cirurgia, não imaginava que teria esse resultado, e também achava que seria muito mais difícil, mas não foi. A recuperação foi ótima e hoje me sinto mais disposta, saudável e tão feliz quanto antes”
“Hoje vejo as pessoas se aproximando, recuperei minha autoconfiança e algumas coisas que fazia antes para suprir os estigmas deixaram de ser importantes, mas eu sempre digo que quem conhece a Karol, sabe que ela nunca foi ‘aquela gorda’, mas sempre foi de bem com a vida e feliz, a amiga e companheira, e continuo sendo, só que mais magra”, finaliza.
Ampliação de público
Em janeiro de 2016, o Conselho Federal de Medicina (CFM) ampliou as indicações para os obesos graves que têm dificuldade de emagrecer e reduzir a pressão ou controlar o diabetes, em um total de 21 enfermidades, incluindo doenças cardiovasculares, apneia do sono, hérnia de disco, fígado gorduroso (esteatose hepática), incontinência urinária de esforço, hemorroida, infertilidade e até estigmatização social e depressão.


