Proposta tentadora não? Imagine só apresentar os documentos e já poder ingressar em um emprego desses? Pois é, mas a maioria dessas vagas exige um documento que anda com um preço bem salgado, ainda mais considerando quem está desempregado e a procura de um lugar no mercado de trabalho.
Se trata da CNH (Carteira Nacional de Habilitação), mais conhecida como carteira de motorista, documento imprescindível para quem quer ter um salário mais atrativo, trabalhar em uma atividade como condutor ou ainda conquistar a liberdade de ser autônomo.
O fato é que o valor relativamente alto que, dependendo da cidade, pode corresponder à mais de três salários mínimos, chegando a casa dos R$ 3.173, acaba frustrando o sonho da habilitação de muita gente.
Uma pesquisa do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), revelou que desde 2015 a emissão de CNH’s teve um decréscimo considerável, atribuído, principalmente, à crise econômica que atinge o Brasil.
No Paraná, uma estatística ainda mais arrasadora revela que, dos aproximados 4,6 milhões de motoristas, a maioria são homens, entre 41 a 60 anos, o que mostra que as mulheres têm tido ainda mais dificuldades para tirar a habilitação.
Mas como alcançar aquela vaga dos sonhos, sem se endividar? Primeiro é necessário fazer uma pesquisa de preço entre as empresas da região, pois apesar do preço das taxas do Detran, como exames e prova, serem tabelados, o processo de aulas e simulação tem o valor estabelecido por cada autoescola.

A programação também é imprescindível, pois se trata de um investimento de alto valor, que mediante pagamento a vista, pode gerar um desconto considerável. No entanto, o parcelamento também é oferecido pelas autoescolas e, nesse caso, a escolha do valor das parcelas deve ser analisada previamente, para não apertar o orçamento mais tarde.
Benedita Simone de Carvalho, proprietária e diretora de ensino de autoescola, formada em Infraestrutura de Trânsito teórico e prático, conta que o valor da habilitação é reajustado e as taxas são mais altas, por exemplo, que o reajuste do salário mínimo.
“Quando a pessoa recebe só um salário mínimo, ela tem muita dificuldade de pagar a carteira, mesmo que parcelada, porque têm suas despesas fixas e o aumento salarial não é compatível com o da Carteira de Habilitação”, explica.
Além disso, ela levanta outra questão sobre o alto custo do documento. “Mesmo que parcelado, a taxa mínima da parcela é de R$ 425, quanto está o salário hoje? R$ 954?", afirma a instrutora.
"Então, metade do salário já vai com os gastos da carteira, agora me diz, como o estudante vai pagar aluguel, água e luz? Hoje a habilitação não é viável”
Baixa Renda
Para os jovens de baixa renda, a CNH Social, que dá o direito dos jovens tirarem a habilitação de graça, parece ser uma ótima opção. Porém, segundo Simone, só funciona nos grandes centros. “Infelizmente, nós não conseguimos trazer esse projeto para os municípios do interior”, frisa.
Em meio à diversas situações, a instrutora conta que já chegou a presenciar situações onde os alunos assinam contrato, porém não conseguem pagar toda parcela. “Tem vezes que os estudantes vêm e dão R$ 100, R$ 150, e não consegue assumir aquele compromisso no contrato e não tem como a gente o excluir, porque sabemos da necessidade dele”, finaliza.


