Vivendo o sonho de se tornar mãe, muitas mulheres acabam sua gravidez muito antes do esperado, e passam a viver um pesadelo com o temido parto prematuro.
Os índices são altos e ainda mais preocupantes para as mulheres que tiveram seus filhos prematuros na primeira gestação, neste caso, elas têm até três vezes mais chances de seu segundo parto acontecer prematuramente, ou seja, fora do período normal de gestação, como conta o obstetra e ginecologista Carlos Samuel Wouters Rodriguez.
“Após um parto prematuro espontâneo, o risco de repetição varia de 14 a 22%, de 28 a 42% após dois partos prematuros, já após o terceiro o índice sobe para 67%”, assegura.
Esses dados abrangem a brazense, Juliana Rafaela Rodrigues Palma de 32 anos e mãe de duas meninas, que tiveram seus nascimentos prematuros.
O primeiro parto foi aos 14 anos, quando deu a luz com apenas sete meses de gestação, à uma menina de 1,510kg. Dezesseis anos depois, com medo, mas esperançosa de que o nascimento da próxima criança seria de 40 semanas, Juliana foi novamente surpreendida, desta vez no sexto mês de gestação e com um bebê de apenas 650g.
“Eu engravidei muitos anos depois da primeira filha e achava que tudo que passei na primeira gestação era por causa da minha idade, agora, já com 30 anos, achava que podia ser diferente, mas logo na primeira consulta o médico me falou que poderia acontecer tudo de novo”, comenta Juliana.
“A Emanuelle foi um milagre, ela nasceu com 650g, lutou pela vida e sobreviveu sem nenhuma sequela, graças a Deus”, enaltece.
A mãe conta que mesmo com a prematuridade, as meninas se desenvolveram fortes e saudáveis. “Minha primeira filha, com 24 dias na Unidade de Terapia Intensiva, já foi liberada para ir para casa, já a segunda ficou 119 dias na UTI e mais 24 dias no quarto do hospital, porém as duas se desenvolveram bem, como crianças normais e sem nenhuma sequela”, frisa.

“Deus levou meu Pedro Henrique”
Por outro lado, diferente da história com final feliz de Juliana, Maria Silva (nome fictício usado a pedido da mãe para preservar sua identidade), de 44 anos, vivenciou, há dois meses atrás, a morte do filho. Com a cesariana marcada para 14 de maio, o sonho foi interrompido pelo nascimento prematuro de Pedro Henrique, que após 24h faleceu na UTI.
“Minhas consultas de pré-natal mostravam que estava tudo bem, não sei o que aconteceu, isso é inexplicável. Deus levou meu Pedro Henrique, mas tenho certeza que ele tem um propósito em nossas vidas”, comenta.
Maria Silva chegou a tomar um remédio para tentar impedir o aborto espontâneo, mas não adiantou. Certo dia, ela sentiu uma dor forte na lombar e, no mesmo momento, já entrou em trabalho de parto.
Com direito de ver o filho duas vezes por dia, a enfermeira avisou a avó da criança que o bebê não estava bem, foi quando, infelizmente, Pedro teve hemorragia pulmonar e veio a óbito.
“Cada dia que passa, eu penso faltava tão pouco, era para eu estar com 37 semanas de gravidez, era um sonho, o que eu mais queria na minha vida, a dor é muito grande, não se compara com nenhum outro sentimento”
A mãe de Maria também teve histórico de parto de bebês prematuros, onde perdeu uma menina e um casal de gêmeos, contudo isso não justifica o caso da filha.
“O nascimento prematuro pode ter alguma influência hereditária, mas também pode ocorrer devido a diversos outros fatores relacionados ao ambiente familiar, condições socio-econômicas, hábitos de vida, presença de outras comorbidades ou por pré-natal inadequado”, finaliza o obstetra Carlos.


