Você certamente nunca escutou a palavra “Amaxofobia”, no entanto, já deve ter conhecido alguém que, mesmo habilitado, morre de medo de dirigir, pois saiba que o número de pessoas que sofrem dessa doença é alto.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Medicina de Trânsito, essa fobia é realidade na vida de cerca de 2 milhões de pessoas em todo o país. A apuração ainda mostra que 85% das mulheres, com idade de 30 a 45 anos, sofrem com amaxofobia.
A moradora de Jacarezinho, Maria Odete Dias Bruzarrosco, faz parte desta estatística, e como ninguém, sabe como esse medo do trânsito atrapalha a rotina das pessoas.
Após sofrer um acidente, a comerciante nunca mais conseguiu dirigir.
“Eu tenho muito medo de dirigir, só de pensar eu fico tremendo, depois que aconteceu o acidente, nunca mais conduzi meu carro, minha carteira chegou a vencer e eu não consegui renovar”
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Há anos sem guiar um carro, Odete acredita que tem que fazer todas as aulas na autoescola novamente, pois ficou muitos anos “travada” na arte de dirigir. “Não conseguir pegar o carro faz muita falta, porque eu trabalho em um depósito e poderia fazer entregas. Vontade de renovar minha carteira não falta, mas esse medo e o excesso de nervosismo me impedem”, frisa.
A moradora não tinha conhecimento que o medo que sente tem nome e se chama Amaxofobia. “Eu sequer sabia que o medo de dirigir era uma doença chamada Amaxofobia, mas sinto na pele como é ruim sentir esse mal e insegurança”, comenta.
Pânico e Traumas
O pânico do volante, de acordo com o instrutor Evandro Dimas Rosa dos Reis, na profissão há 11 anos, é mais comum entre as pessoas que sofreram algum acidente de trânsito, ainda que não estivessem no comando da direção. “Essas pessoas tendem a guardar traumas, o que torna mais difícil a retomada das atividades normais, porém há outros fatores que interferem na fobia dos alunos”, explica.
Evandro ainda cita que o medo afeta o desenvolvimento do aluno que, muitas vezes, após terminar as aulas, não pratica e acaba tendo que comprar pacotes nas autoescolas para recapitular os conhecimentos.
"Tenho alunos que, por insegurança, não conseguem dirigir e esse fator também está ligado ao medo, e o engraçado é que muitos alunos vão bem nas aulas, não reprovam e, com a carteira na mão, tem esse medo de conduzirem o veículo, alguns comentam que por terem aprendido em carros diferentes dos utilizados nas aulas, encontram dificuldades e, por consequência insegurança e medo”, frisa o instrutor.
“Os alunos são muito diferentes entre si, alguns não conseguem ir bem nas aulas práticas e, posteriormente, se adaptam no trânsito, e outros que são bons nas aulas e depois acabam tendo a insegurança por dirigirem sem uma segunda pessoa no carro, acontece que nem sempre ele terá alguém para acompanhá-lo o que faz aos poucos o aluno ir deixando o carro de lado e, consequentemente , adquiri a fobia do trânsito”, finaliza Evandro.


