Sair da zona de conforto e revolucionar a Educação. Esse foi o lema adotado no Colégio Estadual Ary Barroso, quando Andreia Martins, diretora da instituição há pouco mais de dois anos, resolveu inscrever a escola no Programa Ensino Integral.
O colégio localizado em Wenceslau Braz era acometido de uma fama danosa, que chegava a repelir os pais a matricularem seus filhos. Por anos ficou conhecido como uma escola onde ocorriam brigas constantes, indisciplina e até uso de drogas. Hoje, após um ano e meio da implantação do ensino integral, a realidade mudou completamente. Os alunos passam 8 horas na instituição e até as paredes da escola, com pinturas e inspirações dos alunos, passam novos ares.
Com um número de aproximadamente 150 estudantes, as aulas passaram a atrair os alunos e mais famílias se interessaram no novo método de ensino adotado. Andreia conta que, apesar da grande procura, ainda existe preconceito com a antiga imagem do Ary Barroso, mas quem está aqui vivendo essa nova realidade, sabe que a escola se tornou uma referência em ensino diferenciado e rico em conteúdos, tanto da grade, quanto de disciplinas eletivas.
“Hoje nossos alunos escolhem as disciplinas onde querem se matricular, além das obrigatórias como língua portuguesa, matemática, geografia, enfim, têm opções como ginástica, luta, futsal feminino e masculino, recreação, artes visuais e Vivência corporal, chamadas disciplinas eletivas. Com estas, eles desenvolvem habilidades motoras e cognitivas que possibilitam que participem de campeonatos e grandes eventos, isso desperta novos talentos e aumenta a dedicação nos estudos”, afirma.
Andreia relembra que, quando assumiu a escola, algumas turmas estavam prestes a fechar, foi quando ela decidiu resgatar o nome da instituição apostando na migração para Ensino Integral.
“Quando a escola foi contemplada para receber o programa piloto foi um desafio, porque o método de ensino teria que mudar, a maneira como as aulas eram conduzidas não poderiam ser monótonas, até porque os alunos ficariam o dia inteiro na escola”, explica.

Após um ano e meio, o projeto que é o único de sete municípios do Núcleo Regional de Educação, parece ter dado certo. As aulas de futebol, por exemplo, levaram o time feminino às finais da fase regional do JEP’s (Jogos Escolares do Paraná), sendo a única representante do município de Wenceslau Braz. O grupo de dança da escola também irá levar o nome da instituição na abertura dos jogos em Arapoti.
Com a implantação de aulas de luta, a escola dá mais um passo à frente do ensino público, e dá oportunidade aos alunos para desenvolverem disciplina e habilidades físicas.
“Estamos com um professor que, neste primeiro momento, está abordando a arte do muay thai. Os alunos adoram e esperam muito pelas aulas diferenciadas, é um momento onde eles relaxam e aprendem ao mesmo tempo”, afirma.
A música, inserida na grade curricular integral, é outra paixão dos alunos, que já tem turmas inteiras apresentando na fanfarra municipal, tendo aulas com a professora formada em musicologia, Larissa Cipili.
Para oferecer o ensino integral é preciso mudar tudo, inclusive a organização de intervalos e a alimentação.
“Os alunos tem quatro refeições no dia, se alimentam muito bem. No intervalo, eles podem jogar pebolim e outros jogos de tabuleiro. No almoço, segunda refeição (período entre a manhã e tarde), eles tem acesso à internet liberado via wi-fi e também podem descansar nas salas vagas”, relata.
Para finalizar, a reportagem relembrou que a escola era alvo constante de depredação tanto de alunos, quanto de pessoas externas, quanto a isso, Andreia garante que a realidade é outra.
“Hoje existe outra visão dentro e fora da escola, os alunos e pais querem cuidar e deixar a escola bonita, reduzimos os conflitos a zero, não ocorrem brigas há mais de dois anos e a escola está cada vez mais bonita”, finaliza.



