Com a greve dos caminhoneiros, iniciada na última segunda-feira (21), além de muitas rodovias em vários estados do país estarem com pontos de bloqueios, os próprios motoristas responsáveis pelo transporte de produtos estão com seus veículos parados. Isto tem refletido diretamente em serviços e produtos que já começam entrar em falta em várias regiões do país. No Paraná, ao todo já são 70 locais onde há interdição de rodovias e caminhões parados.
A onda de protestos se deu devido aos constantes aumentos praticados pela Petrobras no preço cobrado pelo litro do óleo diesel nas refinarias que, em menos de um ano, saltou de R$ 1,50 para casa dos R$ 2,34. Além disso, os motoristas reclamam da alta carga tributária sobre o preço do combustível por parte dos impostos do governo e das tarifas cobradas nas praças de pedágio. Segundo a categoria, somados, estes fatores estão tornando a atividade inviável.
Como uma ironia do destino, em um protesto contra o aumento dos preços de combustíveis, justamente estes produtos foram os primeiros que começaram a faltar já nesta terça-feira (22). Cidades como Wenceslau Braz e Siqueira Campos chegaram a registrar filas nos postos no final da tarde para encher o tanque. Nesta quarta-feira (23), cinco postos do município já não tinham mais álcool e gasolina, enquanto ao menos dois também estavam sem os combustíveis no município siqueirense.
Isso afetou até mesmo os serviços públicos. Algumas prefeituras, como de Arapoti, Jacarezinho e W. Braz, anunciaram que irão manter apenas as atividades essenciais a população, como saúde e segurança, paralisando os trabalhos das secretarias de obras ou infraestrutura, por exemplo. Em algumas cidades, estão sendo feitos acordos para que os postos que ainda tem gasolina vendam para abastecer ambulâncias.
Já nos supermercados, um dos produtos que já estão apresentando falta são as carnes, pois, após o final de semana em que, geralmente, tem-se um número maior de vendas, alguns comércios ainda não receberam entregas esta semana. Já em algumas farmácias, ainda não está havendo falta de produtos, mas alguns medicamentos estão chegando com atraso.
Com relação à segurança, em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, foi informado que uma reunião entre as autoridades competentes estava sendo realizada durante a tarde desta quarta-feira em busca de medidas para que não haja a falta de patrulhamento e circulação das viaturas, mesmo com o prosseguimento da greve.
Em contato com o Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros) de Curitiba, foi informado que a reunião realizada pelos líderes da Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros) com representantes do Governo Federal na tarde desta quarta-feira não teve um resultado. Com isso, a paralização continua nesta quinta-feira (24) quando uma nova reunião será realizada para continuar as tratativas entre as partes.


