DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
SANTO ANTÔNIO DA PLATINA - A morte de um adolescente de 16 anos, atribuída a complicações pulmonares causadas pelo uso de cigarro eletrônico, motivou uma grande ação da Polícia Civil em Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro do Paraná. Na tarde desta quinta-feira (8), a corporação deflagrou a Operação “Vapor da Morte”, que resultou na prisão em flagrante de uma vendedora e na apreensão de dezenas de cigarros eletrônicos comercializados de forma ilegal.
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A operação foi coordenada pelo chefe da 12ª Subdivisão Policial, delegado Dr. Amir Salmen, e contou com o apoio de equipes da Polícia Civil de Jacarezinho, Joaquim Távora e Cambará. As diligências ocorreram em estabelecimentos comerciais alvos de denúncias por venda de dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), produtos proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), conforme a Resolução nº 8.552/2024.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, em um dos locais fiscalizados, uma vendedora foi surpreendida com uma caixa contendo 33 cigarros eletrônicos. Ela foi presa em flagrante pelo crime de receptação qualificada.
Segundo a Polícia Civil, a ação foi diretamente motivada pela repercussão da morte do adolescente, além de solicitações formais da Secretaria Municipal de Saúde e da recente aprovação da Lei Municipal nº 2.404/2025, que reforça o combate à venda de cigarros eletrônicos no município. Informações repassadas à polícia indicam ainda que outros casos de internações e possíveis mortes de adolescentes relacionados ao uso de vape estariam sendo investigados pela saúde local.
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Morte de Vítor Gabriel acendeu alerta na cidade
A operação policial tem como pano de fundo a morte de Vítor Gabriel da Silva, de 16 anos, ocorrida no dia 24 de novembro do ano passado. O adolescente faleceu após sofrer graves complicações pulmonares, associadas ao uso de cigarro eletrônico.
Vítor era aluno do Colégio Estadual Tiradentes e filho de Angélica Aparecida da Silva. Ele convivia com bronquite há anos, mas apresentou piora repentina no estado de saúde na última semana de vida. Após ser internado, foi transferido para a UTI do Hospital Regional de Santo Antônio da Platina, onde não resistiu.
“Ele era um garoto muito querido, não dava trabalho para a mãe. Mas acabou se envolvendo com o cigarro eletrônico e, por causa da bronquite, o efeito foi devastador”, relatou uma amiga da família. Durante os dias de internação, moradores se mobilizaram em correntes de oração.
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A tragédia foi agravada pela morte do padrasto do adolescente, João Gonçalves Leite, pastor da Assembleia de Deus. No domingo (22), ao visitar o enteado no hospital e ser informado sobre a gravidade do quadro, ele sofreu um ataque cardíaco e morreu. Sete horas após o sepultamento do padrasto, Vítor também faleceu, gerando forte comoção na cidade.
Tragédia impulsionou mudanças e nova lei municipal
Dias após a morte do adolescente, a Câmara Municipal de Santo Antônio da Platina aprovou, em regime de urgência, o Projeto de Lei nº 39/2025, que institui a Lei Municipal “Vítor Gabriel da Silva” e cria a Campanha Municipal de Conscientização e Combate ao Consumo de Cigarros Eletrônicos em ambientes escolares.
A proposta, de autoria do vereador Fabinho Galdino, recebeu apoio unânime dos parlamentares. A mãe de Vítor esteve presente na sessão. Segundo o vereador, o projeto nasceu “com profunda dor” e diante do avanço do uso de vapes entre crianças e adolescentes. O atestado de óbito, conforme destacado, aponta diretamente o uso do cigarro eletrônico como causa da morte.
A lei prevê campanhas educativas anuais na rede municipal de ensino, com palestras, materiais informativos e parcerias com profissionais da saúde, Vigilância Sanitária e entidades especializadas. A campanha deverá ser implementada ainda neste ano.
Apesar do visual moderno e dos sabores atrativos, o cigarro eletrônico representa sérios riscos à saúde. O vapor inalado contém nicotina e substâncias tóxicas capazes de causar danos graves aos pulmões e ao sistema cardiovascular. No Brasil, a comercialização, importação e propaganda desses produtos são proibidas desde 2009.