O município de Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, viveu uma das maiores tragédias climáticas da história recente do Estado. Na tarde de sexta-feira, 7 de novembro, um tornado de força excepcional atingiu a cidade, deixando um cenário de destruição quase total. O fenômeno foi confirmado pelo Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), que classificou o evento como um tornado de categoria F2, com ventos estimados entre 180 e 250 quilômetros por hora. Em alguns pontos, porém, há indícios de que as rajadas tenham ultrapassado os 250 km/h, o que poderia elevar a classificação para F3.
De acordo com o Simepar, o tornado se formou a partir de uma supercélula, um tipo de tempestade severa associada a grande instabilidade atmosférica. O fenômeno ocorreu em meio ao avanço de uma frente fria combinada com uma área de baixa pressão entre o Paraguai e o Sul do Brasil, condições que favoreceram a formação de tempestades intensas em várias regiões. As imagens registradas por moradores e a extensão dos danos confirmaram a violência do evento: veículos tombados, árvores arrancadas pela raiz, postes de energia derrubados e casas de alvenaria completamente destruídas.
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Socorro imediato e mobilização estadual
Logo após a tragédia, equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Samu iniciaram os atendimentos de emergência. O governo estadual confirmou que 432 pessoas foram atendidas, sendo nove em estado grave e várias delas precisaram passar por cirurgia. Até o momento, seis mortes foram confirmadas — cinco em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava. Hospitais de toda a região, incluindo Laranjeiras do Sul, Guarapuava e Cascavel, receberam vítimas em diferentes níveis de gravidade. Somente em Laranjeiras do Sul, 216 atendimentos foram realizados nas primeiras horas após o desastre.
Diante da dimensão dos estragos, o governador Carlos Massa Ratinho Junior sobrevoou a área atingida e se dirigiu ao município no sábado, 8 de novembro. Ele classificou o tornado como um dos mais severos já registrados no Paraná. “É algo sem precedentes na história do Estado”, declarou o governador, que anunciou uma força-tarefa para reconstruir as moradias destruídas e reerguer a infraestrutura da cidade. Segundo Ratinho Junior, cerca de 90% das casas de Rio Bonito do Iguaçu foram danificadas de alguma forma. “Vamos reconstruir as residências, garantir abrigo e segurança para todas as famílias que perderam tudo. O Governo do Estado está mobilizado e vai trabalhar junto com o município para restabelecer a normalidade o quanto antes”, afirmou.

O governo estadual enviou cestas básicas, colchões, telhas, lonas e kits de higiene para atender as famílias afetadas. A Defesa Civil orientou que as doações sejam feitas com cautela, aguardando a definição das necessidades mais urgentes e a divulgação dos pontos oficiais de coleta. A PRC-158, que havia sido bloqueada na entrada do município, foi parcialmente liberada, mas outras estradas da região ainda exigem limpeza e recuperação.
A situação em Rio Bonito do Iguaçu foi oficialmente reconhecida como estado de calamidade pública, o que permitirá ao poder público agilizar licitações, convênios e repasses de recursos para reconstrução. Técnicos da Cohapar e do CREA-PR estão realizando vistorias para identificar quais moradias poderão ser reformadas e quais precisarão ser reconstruídas. Além disso, estão sendo planejados alojamentos provisórios para acolher famílias desabrigadas.
O tornado de Rio Bonito do Iguaçu é apontado pelos meteorologistas como um dos mais intensos já observados no Paraná. Além dos prejuízos materiais, o fenômeno deixou marcas profundas na população local, que agora enfrenta o desafio da reconstrução. Com o apoio das autoridades, de voluntários e da solidariedade de todo o Estado, o município busca forças para se reerguer após a tragédia que mudou para sempre a história da região.