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Conheça a história da professora que morreu queimada com oito alunos no Norte Pioneiro

Tragédia aconteceu na década de 1980 em uma escola rural de Joaquim Távora e Maria Aparecida Beruski se tornou símbolo de coragem e milagres para dezenas de fiéis

ESPECIAL HISTÓRIAS - A Região do Norte Pioneiro é rica em histórias que muitas vezes acabam passando despercebidas por muita gente, como é o caso de Maria Aparecida Beruski, uma professora de descendência ucraniana que morreu tentando salvar seus alunos em uma escola rural que pegou fogo na década de 1980 em Joaquim Távora. A tragédia, que ainda tirou a vida de oito crianças, envolve também uma história de milagres e devoção religiosa que a Folha conta aos nossos leitores.

Tudo começou no dia 4 de abril de 1986, em uma escola situada na Colônia São Miguel, bairro rural de Joaquim Távora. Nesta data, Maria Aparecida Beruski foi para o trabalho em mais um dia normal para lecionar aos seus alunos — o que ela não imaginava é que este seria não só seu último dia de trabalho, mas também da sua vida.

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Durante o horário de aula, em dado momento, um botijão de gás explodiu devido a um vazamento — situação que causou um incêndio que se espalhou rapidamente pela estrutura precária da pequena escola. Em um gesto de coragem, Maria não pensou duas vezes para enfrentar as chamas e salvar o máximo de crianças possíveis. Ela conseguiu retirar cinco alunos pela janela, mas infelizmente não houve tempo suficiente para que ela conseguisse salvar a própria vida — na tragédia que também ceifou a vida de oito crianças.

Tragédia ganhou repercussão nacional entre os principais jornais do Paraná e do Brasil - Foto: Folha de Londrina
Tragédia ganhou repercussão entre os principais jornais do Paraná e do Brasil - Foto: Folha de Londrina

O agricultor Celso Carvalho, com 12 anos na época, conta como tudo aconteceu e como ajudou a salvar alguns colegas. “Naquela época a escola era como um grande salão. Era um dia normal, até que o botijão explodiu e as chamas se espalharam rapidamente causando um calor insuportável. Eu e um colega conseguimos sair por uma janela e fomos puxando os outros alunos, mas infelizmente não foram todos que conseguiram sair”, relembrou durante entrevista em 2007.

Após o fogo ser controlado, uma cena ficou eternizada naquele 4 de abril: os corpos da professora e dos alunos foram encontrados abraçados em meio aos escombros do que sobrou da escola. As vítimas tinham entre seis e 13 anos e foram identificadas como: Tereza Luiz Rosa (13 anos), Carlos Luiz Rosa (11), Amaury M. de Queiroz (9), Lucélia Glomba (6), Lucimeire Borandelik (8), Salomão Bachtich (8), Laert Luiz Rosa (7) e Alexandra Marim (7).

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Maria tinha 27 anos e era conhecida pelo seu amor a profissão e amor e carinho com as pessoas ao seu redor - Foto: Reprodução/Internet
Maria tinha 27 anos e era conhecida pelo seu amor a profissão e amor e carinho com as pessoas ao seu redor
Foto: Reprodução/Internet

“Relembrar este dia é algo muito triste para nós. Lembrar dos nossos colegas que não conseguiram se salvar e da nossa querida professora. É uma dor muito grande, sou uma das sobreviventes que o Celso puxou da sala. Ali já começaram os milagres”, relatou Patrícia, uma das alunas de Maria que estava na escola naquele dia.

Como não bastasse o incidente que chocou a comunidade da região na época, o velório e sepultamento da professora comoveram a população tavorense. Maria foi sepultada no Cemitério de Joaquim Távora, junto aos oito alunos, que partiram desta vida abraçados à professora que, em um gesto honrado de coragem, não os abandonou e tentou protegê-los até os últimos instantes de suas vidas.

Túmulo no Cemitério Municipal de Joaquim Távora onde Maria foi sepultada junto aos seus oito alunos - Foto: Gerson Sobreira
Túmulo no Cemitério Municipal de Joaquim Távora onde Maria foi sepultada junto aos seus oito alunos - Foto: Gerson Sobreira

Assim como durante toda sua vida, as boas ações de Maria não pararam mesmo após sua morte. A admiração de dezenas de pessoas, principalmente fiéis da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Brasil, levaram a comunidade a realizar orações e pedir intervenções espirituais à professora falecida. Com isso, logo começaram a aparecer os registros dos primeiros milagres, com destaque para uma criança que sobreviveu após ingerir querosene acidentalmente e a cura de uma pessoa que sofria com uma alergia severa — dois dos muitos registros atribuídos a Maria Aparecida Beruski.

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Com isso, foi iniciado um processo que reuniu diversos relatos de milagres, e uma equipe ucraniana deu início ao processo canônico que faria de Maria Aparecida Beruski a primeira santa ortodoxa da América Latina. Em 2007, o dossiê foi encaminhado ao Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, com o pedido de início da canonização. A princípio, o prazo de resposta era de até três anos — o que não ocorreu até os dias de hoje.

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Imagem de "Santa Tita" que reflete Maria e seus oito alunos - Foto: Reprodução/Internet

Independentemente do reconhecimento oficial, os milagres atribuídos a Maria Aparecida Beruski foram ganhando grande repercussão, e a “Santa Tavorense” passou a atrair cada vez mais fiéis. O túmulo da professora e das oito crianças se tornou um local de fé, peregrinação e devoção popular, com visitantes vindos de diversas regiões do país.

A bravura da professora ainda é lembrada até os dias atuais com diferentes tipos de homenagens. Em Joaquim Távora, ela dá nome ao Centro Municipal de Educação Infantil Professora Maria Aparecida Beruski, além de uma capela construída no local onde funcionava a escola. Já em Curitiba, uma rua no bairro Barreirinha também leva o nome da professora, além de um ícone ortodoxo pintado na Igreja Ortodoxa Ucraniana São Demétrio. No dia 4 de abril, fiéis costumam realizar homenagens e momentos de devoção à Santa Tita, cuja bravura e milagres permanecem vivos entre os admiradores de sua vida e de sua história pós-morte.

Capela construída no local onde ficava a escola em homenagem a Maria e seus alunos - Foto: Gerson Sobreira
Capela construída no local onde ficava a escola em homenagem a Maria e seus alunos - Foto: Gerson Sobreira

*Esta matéria contou com uso de dados publicados em artigos e periódicos de várias épocas pós acidente com entrevistas, informações e relatos disponíveis em diferentes fontes na internet. 

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