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Referência na produção láctea, o Paraná está prestes a dar mais um passo para consolidar sua posição de expoente dessa cadeia produtiva. O Estado foi escolhido para sediar o Centro de Excelência em Leite, do Senar Nacional. Trata-se de um complexo educacional especializado na cadeia produtiva, que será construído em Castro, nos Campos Gerais – município reconhecido por lei federal como Capital Nacional do Leite. A futura instalação vai oferecer cursos de nível técnico-profissionalizante e especializações gratuitos e reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC). O Centro de Excelência deve começar a funcionar em 2027.
O passo mais recente para a consolidação da nova instituição ocorreu em 13 de maio, quando o Sistema FAEP e a cooperativa Castrolanda celebraram um contrato de compra e venda do terreno onde o centro de excelência será construído: uma área de quatro hectares anexa ao Parque Tecnológico da Agroleite, uma das principais feiras agropecuárias do setor. A escolha do Paraná como sede da instituição de ensino, no entanto, é resultado de um processo que começou há mais de nove meses, em 29 de julho do ano passado. Na ocasião, uma comitiva do Sistema FAEP liderada por Meneguette promoveu uma missão em Brasília, onde visitou diversas instituições. Na Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os paranaenses obtiveram a informação sobre a expansão dos seus centros de excelência e que ainda não havia local definido para sediar a escola voltada à bovinocultura de leite. Naquele mesmo dia, o Sistema FAEP começou seus esforços para que o Paraná fosse escolhido. Além de seu protagonismo, o Paraná tinha um “embaixador” de renome. Entre os integrantes da missão do Sistema FAEP estava o assessor técnico da entidade Ronei Volpi, uma das principais autoridades nacionais em bovinocultura de leite. Pecuarista há décadas, Volpi foi um dos fundadores do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Paraná (Conseleite-PR) e do Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Paraná (Fundepec-PR). Além disso, ele é presidente da Câmara Setorial de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA. Continua após a publicidade
UniãoDe volta, o Sistema FAEP pôs mãos à obra, passando a se organizar para pleitear que o centro de excelência fosse instalado no Paraná. Dentre os municípios e regiões levados em consideração, acabou-se por escolher Castro em razão de sua relevância para a cadeia produtiva. A “capital do leite” tem um rebanho de mais de 53,4 mil vacas ordenhadas, com produção média anual de 8,4 mil litros por animal. Para efeitos de comparação, a média nacional é de 2,2 mil litros por vaca/ano. O desempenho em produtividade de Castro se aproxima de líderes da pecuária leiteira mundial, como Estados Unidos e Alemanha, e supera o de países como a França e Nova Zelândia. Com o avanço da ideia, em 29 de outubro, o Sistema FAEP promoveu uma reunião com representantes da Castrolanda, do Sindicato Rural de Castro, do Parque Tecnológico Agroleite e do Centro de Treinamento Pecuário (CTP). Também participaram membros da equipe de Doutor Reinaldo, então prefeito eleito de Castro. Todos aderiram à iniciativa. A prefeitura se comprometeu a viabilizar e pavimentar os acessos ao prédio que será construído, além de fazer as ligações de água e esgoto. O Sistema FAEP, por sua vez, ficaria responsável por adquirir o terreno.
Por sua vez, o presidente da Castrolanda, Willem Berend Bouwman, assinalou o impacto positivo do projeto na educação e formação técnica de prof issionais, visando o desenvolvimento e sustentabilidade do setor. “A cadeia do leite demanda muita mão de obra e a capacitação faz toda a diferença quando pensamos em qualidade do leite, sanidade e bem-estar dos rebanhos”, aponta.
No papel de interlocução entre os apoiadores locais, o Sindicato Rural de Castro teve papel determinante. Presidente da entidade, Eduardo Gomes Medeiros conta que a diretoria não hesitou em estabelecer contato com autoridades locais e representantes de cooperativas para sedimentar a adesão coletiva à iniciativa. Apesar de Castro ter sido escolhida como sede, Medeiros trata o projeto como uma conquista da região.
Com essa união em torno do projeto, em 13 de novembro de 2024, Meneguette enviou um ofício ao diretor-geral do Senar Nacional, Daniel Klüppel Carrara, formalizando o interesse do Sistema FAEP em sediar o Centro de Excelência em Leite. Seis dias depois, em 19 de novembro, a entidade nacional bateu o martelo de que o complexo seria instalado no Paraná. ProjetoCom localização estratégica junto ao Parque Tecnológico da Agroleite, o complexo de ensino será composto por oito blocos (sete com estrutura padrão e um adaptável, conforme futuras definições do comitê técnico), que vão se estender por uma área construída total de 4,3 mil metros quadrados. O empreendimento receberá investimentos da ordem de R$ 32 milhões. O início das obras está previsto para agosto deste ano, com lançamento da pedra fundamental durante a Agroleite. Entre a infraestrutura, um dos blocos terá seis salas de aula e uma sala de tecnologia da informação. Outro anexo sediará quatro laboratórios. Outro bloco será destinado a receber uma biblioteca e um laboratório de informática. As demais dependências serão destinadas a prédios administrativos, salas de videoconferência, refeitório, cozinha e vestiário, entre outros espaços. O projeto arquitetônico vai seguir o padrão dos prédios da Agroleite, que incorporam elementos da arquitetura holandesa, fortalecendo o vínculo com a comunidade local. A partir de agora, os trabalhos se dividem em duas frentes. Uma conduzida por uma equipe técnico-pedagógica, que vai definir, por exemplo, o corpo docente, os cursos que serão ofertados e as diretrizes educacionais da instituição. Outra diz respeito à infraestrutura (ou seja, à construção do complexo educacional) e à aquisição dos equipamentos para os laboratórios e salas. A previsão é de que o Centro de Excelência em Leite comece a operar em 2027.
Profissional formado no Paraná poderá atuar em qualquer canto do BrasilPara definir o perfil profissional do futuro especialista que será formado no Centro de Excelência em Leite do Sistema FAEP, em Castro, o Comitê Técnico Nacional de Bovinocultura de Leite realizou, na primeira quinzena de maio, uma discussão estratégica. O encontro reuniu representantes do Senar Central, da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura Leite da Sistema FAEP, das Federações da Agricultura de Minas Gerais e Goiás, da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), da Castrolanda, da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH), entre outras entidades, que alinharam as competências dos profissionais de acordo com as tendências do setor.
Essa mesma forma de construção ocorreu nos demais centros de excelência da rede nacional, de Fruticultura, em Juazeiro, na Bahia; Bovinocultura de Corte, no município de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; e Cafeicultura, na cidade de Varginha, em Minas Gerais.
A próxima etapa do processo conduzido pelo Comitê Técnico Nacional de Bovinocultura de Leite prevê a criação de um grupo de trabalho, com a participação de especialistas do Paraná e de outras partes do país. O objetivo é a formatação do currículo e do plano de curso. Posteriormente, com a metodologia definida, haverá a capacitação dos instrutores. Centros de excelência estão em expansão pelo Brasil Com foco na formação técnico-profissional de mão de obra especializada para as mais diversas atividades agropecuárias, o Senar Nacional está expandindo o número de centros de excelência. Hoje, três unidades já estão em operação – uma voltado à fruticultura, uma à bovinocultura de corte e outra à cafeicultura. Todas oferecem cursos técnicos presenciais, com formação inicial e continuada e com programas de especialização técnica. Algumas unidades também ofertam cursos na modalidade Ensino a Distância (EaD). Além do Centro de Excelência em Leite, está em processo de implantação de um complexo educacional especializado em Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF). A unidade funcionará em Tangará da Serra, no Mato Grosso, com inauguração prevista ainda para 2025. Em Ribeirão Preto, em São Paulo, está em fase de implantação o Centro de Excelência de Cana-de-Açúcar e, de forma paralela, a construção do Centro de Excelência em Zootecnia, em Feira de Santana, na Bahia. Inaugurado em outubro de 2017, o Centro de Excelência em Fruticultura foi a primeira unidade do gênero criada pelo Senar Nacional. O complexo está localizado em Juazeiro, na Bahia, referência na produção e exportação de frutas in natura. O carro-chefe da unidade é a Formação Técnica em Fruticultura, que tem carga horária de 1.350 horas, em modelo presencial. O centro também oferta outros cursos de aprendizagem. Localizado em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o Centro de Excelência de Bovinocultura de Corte tem em seu catálogo opções como a Formação Técnica (com carga de 1.400 horas) e a Especialização Técnica (com 1.760 horas). Inaugurado em 2018, o complexo também dispõe de cursos de tecnólogo (em formato EaD) e cursos de extensão, entre outros formatos. O Centro de Excelência em Cafeicultura, por sua vez, fica em Varginha, em Minas Gerais. Inaugurado em 2023, a unidade oferece, entre seus cursos, a Formação Técnica (em formato híbrido, entre presencial e EaD) e outros títulos na modalidade de Ensino a Distância, incluindo o Técnico em Agronegócio. Todos os centros de excelência atendem a alunos de todo o Brasil. |
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