O presidente Lula ressaltou, em entrevista ao fim da agenda de compromissos na China, nesta quarta-feira (14), a importância da viagem para ampliar as parcerias do governo brasileiro com o governo chinês e estimular investimentos privados entre os países. Brasil e China assinaram 20 acordos e adotaram outros 17 documentos para fortalecer a cooperação, pelos próximos 50 anos, em diversas áreas.
“A nossa relação com a China é muito estratégica. A gente quer aprender e, também, atrair mais investimentos para o Brasil. A gente quer mais ferrovia, mais metrô, mais tecnologia. A gente quer inteligência artificial. A gente quer tudo o que eles possam compartilhar conosco. E a palavra correta é ‘compartilhar’. Porque a gente precisa aprender a trabalhar junto para que as coisas possam dar os frutos que nós precisamos”, destacou Lula
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O presidente pontuou a importância da exportação de commodities brasileiras para a China e indicou o desejo de diversificar os tipos de produtos que são comercializados. “Nós também queremos trocar produtos com maior valor agregado e, por isso, queremos que os chineses nos ajudem a dar esse avanço no desenvolvimento tecnológico que precisamos. Aí entra a discussão da transição energética, da transição climática e a questão da inteligência artificial”, disse.
Esta é a quarta visita de Estado de Lula à China, a primeira a ocorrer desde a elevação das relações bilaterais ao patamar de “Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil-China por um Mundo Mais Justo e um Planeta Mais Sustentável”, em novembro de 2024. Trata-se do terceiro encontro entre o líder brasileiro e o presidente da República Popular da China, Xi Jinping, desde 2023. “Eu acho que a China merece ser olhada com mais carinho e sem preconceito, porque a China é a novidade econômica e tecnológica do século XXI. É assim que nós temos que olhar a China, com muito apreço e com muito carinho. E é assim que eu acho que a China olha o Brasil”, assinalou Lula.
O presidente brasileiro enfatizou o crescimento da relação comercial entre os dois países.
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“Em 2003, quando eu tomei posse na presidência da República, a gente tinha US$ 6,6 bilhões de fluxo de balança comercial. Hoje, temos o privilégio de dizer que nós temos US$ 160 bilhões, com viés de alta no nosso fluxo comercial. Não é pouca coisa. Mas não estamos contentes com o resultado de US$ 160 bilhões ou com o superávit de US$ 31 bilhões que o Brasil tem no comércio com a China. Porque o comércio entre dois países tem que ser equilibrado”, afirmou
“Eu sempre disse que o comércio bom entre dois países é aquele que parece uma via de duas mãos: a gente compra e a gente vende, mais ou menos de forma igual, para que não haja um desbalanço muito grande no orçamento de cada país. E nós viemos aqui para isso”, explicou Lula.
Brics
Lula também abordou a relevância do Brics, grupo de cooperação econômica e diplomática do qual Brasil e China fazem parte e cuja próxima cúpula será no Rio de Janeiro, nos próximos dias 6 e 7 de julho. “Ontem eu falei com o Xi Jinping: o Brics é a possibilidade de a gente mudar um pouco a história para colocar os excluídos dentro do sistema político e econômico. Por isso que o Brics é importante. E eu tenho certeza que nós vamos realizar no Brasil, no mês de julho, a melhor reunião do Brics já feita desde que o bloco foi criado”, frisou.
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Acordos
Lula também participou da assinatura de atos conjuntos com Xi Jinping na terça-feira (13/5). Os países assinaram, no total, 20 acordos para alicerçar a cooperação pelos próximos 50 anos em diversas áreas. A declaração conjunta Brasil-China, a declaração conjunta sobre a crise na Ucrânia e outros 15 acordos, memorandos e protocolos também foram anunciados na cerimônia.
Um dos acordos firmados visa o estabelecimento conjunto de um Centro de Transferência de Tecnologia entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da República Federativa do Brasil (MCTI) e o Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China. Foi celebrada, ainda durante a cerimônia, uma Declaração Conjunta de Intenções entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil e a Administração Espacial Nacional da China sobre o Compartilhamento de Dados Espaciais com os Países da América Latina e do Caribe.
Em declaração conjunta, Lula e Xi Jinping reiteraram o firme compromisso em dar seguimento à agenda de cooperação, de modo a impulsionar conjuntamente os processos de modernização do Brasil e da China, facilitar investimentos, promover a interconectividade regional e contribuir para o desenvolvimento sustentável.
Setor portuário
Ainda no segundo dia da viagem à China, o ministro Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) afirmou que empresas chinesas vão investir no setor portuário brasileiro e demonstraram interesse em participar do leilão do Túnel de Santos-Guarujá. Lula participou do lançamento do edital do túnel submerso e inédito na América Latina no final de fevereiro. “Serão investimentos na ordem de mais de R$ 6 bilhões. Essas empresas participarão do leilão no mês de agosto. Nos próximos 30 dias, um conjunto de empresas está indo ao Brasil para poder participar efetivamente da construção de consórcios”, declarou o ministro.
“Além disso, assinamos um conjunto de ações com o setor produtivo portuário, onde a gente espera investimentos de quase R$ 5 bilhões nos portos públicos brasileiros”, disse Silvio Costa Filho. Ele também confirmou a assinatura de um acordo de cooperação com a Universidade da Aviação Civil da China. A parceria permitirá a troca de experiências e buscará convergência na área de tecnologia para melhorar a governança dos aeroportos brasileiros.