Até o dia 31 de maio deste ano, foram solicitados no Paraná 13.749 bloqueios de celulares por conta de situações de furto, roubo, extravio ou outras situações, como a clonagem, segundo informações do Cadastro Nacional de Estações Móveis Impedidas (Cemi). O número equivale a 3% das 448.653 solicitações às prestadoras em todo o país. Em 2016 e 2017 haviam sido realizados 1.327.689 e 1.424.367 bloqueios por solicitação junto à prestadora no Brasil — não há, contudo, dados segmentados por estado antes de 2018.Esse tipo de medida ganhou maior visibilidade ontem, quando a polícia desbaratou uma quadrilha que clonou celulares de autoridades brasileiras nos estados do Maranhão, Mato Grosso do Sul e no Paraná, incluindo deputados e a governadora Cida Borghetti. No total, 25 autoridades — deputados estaduais, federais, senadores, ministros, além da governadora do Paraná, teriam sido vítimas da quadrilha, que, depois de clonar os celulares, usava uma rede social para pedir dinheiro “emprestado” entre os contatos das vítimas.A quadrilha foi desbaratada pelas polícias Civil e Federal do Maranhão, com o apoio da Polícia Civil do Paraná, na Operação “Swindle ou Fraud”. O nome da operação significa fraude em inglês. Durante a operação, quatro pessoas foram presas, dois carros (uma BMW e uma Hilux SW4) e diversos celulares apreendidos. Outras duas pessoas, uma mulher e um vendedor ambulante, já haviam sido presas em junho, suspeitas de participarem dos golpes. A dupla emprestou contas bancárias para parte de depósitos.
Como funcionava o golpe da clonagem de celulares
Segundo as investigações, o suposto chefe da quadrilha, que foi preso em São Luiz (MA), hackeou um grupo de conversa, descobriu o número de várias autoridades e clonou os chips para aplicar os golpes. Somente este ano o suposto chefe da quadrilha adquiriu cerca de 80 chips que teriam sido adulterados, disse o delegado o-titular da Delegacia de Estelionato de Curitiba, Leonardo CarneiroCom o chip clonado ele cancelava o antigo e tinha acesso à rede de contatos das vítimas. Então, usando um App de grupo, mandava mensagens para estes contatos pedindo dinheiro “emprestado”, com o compromisso de devolver o dinheiro nos dias seguintesAinda de acordo com o delegado, os golpistas se passavam pelas autoridades, alegando que tinham seu limite de transferência bancário excedido e solicitavam que a pessoa da lista de contatos da agenda telefônica fizesse uma transferência complementar para uma conta dada pelo falsário. Em alguns casos os golpistas encaminhavam boletos a serem pagos pelas vítimas, que acreditavam estar fazendo um favor para as vítimasDe boa fé, e acreditanto se tratar realmente da pessoa conhecida, alguns destes contatos chegaram a fazer as transferências. Segundo a polícia, houve casos de valores de até R$ 25 milA organização criminosa também aliciava laranjas para abrir contas e receber as transferências bancárias da lista de contatos das vítimas.
Fonte: Bem Paraná


