Nos últimos anos, as famílias brasileiras vêm enfrentando uma guerra contra uma nova doença relacionada com vício, trata-se da Ludopatia que é o transtorno do jogo que faz com que as pessoas fiquem viciadas em jogos de azar. Apesar de não ser uma novidade, a popularização dos jogos de azar tem feito com que os problemas relacionados ao transtorno sejam cada mais frequentes e assustadores. Em apenas cinco anos, a busca por acompanhamento para doença aumentou mais de 1 mil por cento.
A ludopatia, também conhecida como transtorno do jogo ou vício em jogos de azar, é uma condição psicológica caracterizada pela dependência de jogos que envolvem apostas. Embora muitas pessoas joguem esporadicamente sem desenvolver problemas, a ludopatia pode ter um impacto significativo na vida de um indivíduo quando o comportamento se torna compulsivo. A doença é classificada como um transtorno do controle dos impulsos e afeta tanto a vida pessoal quanto a saúde mental de quem a vivencia.
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Os principais sinais da ludopatia incluem obsessão constante com o jogo, incapacidade de parar de jogar, mesmo diante de consequências negativas, e perda de controle sobre a frequência e o valor das apostas. A pessoa afetada pode continuar jogando mesmo após sofrer perdas financeiras, sociais ou emocionais. A busca incessante por excitação e a tentativa de recuperar perdas são fatores comuns que mantêm o vício.
Nos primeiros estágios, pode ser difícil identificar a ludopatia, especialmente em crianças e adolescentes. Sinais iniciais podem incluir o interesse excessivo por jogos de azar em mídias eletrônicas, como videogames ou jogos online que envolvem apostas. Para os adolescentes, esse comportamento pode ser confundido com simples diversão, mas, à medida que o envolvimento aumenta, o risco de desenvolvimento de um transtorno do jogo também cresce. O isolamento social e a tentativa de esconder o comportamento são sinais preocupantes.
Em adultos, a ludopatia pode ter consequências ainda mais severas, gerando problemas financeiros, familiares e profissionais. A pessoa pode gastar grandes quantias de dinheiro em jogos de azar, endividando-se ou até recorrendo a comportamentos ilícitos para sustentar o vício. O impacto emocional é significativo, com muitos ludopatas enfrentando depressão, ansiedade, culpa e vergonha. Além disso, o transtorno pode prejudicar relações interpessoais, afastando a pessoa de amigos e familiares.
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Casos de suicídio relacionados à ludopatia também têm sido noticiados, sendo dois recentes apenas na região do Norte Pioneiro. Em dezembro do ano passado, uma jovem de 25 anos moradora do município de Figueira morreu após uma tentativa de suicídio supostamente ligada a perdas no "Jogo do Tigrinho". Outro caso similar foi registrado em Santana do Itararé, onde um homem de 52 anos tirou a vida após ter prejuízos ao perdem uma grande quantia nas apostas.
No Brasil, a ludopatia tem se tornado uma preocupação crescente, principalmente com o aumento das plataformas de jogos online e o fácil acesso à internet. A falta de uma legislação específica sobre jogos de azar dificulta o controle e a prevenção da doença. Enquanto a maioria dos cassinos continuam proibidos, jogos de azar ilegais e loterias têm levado muitos brasileiros ao vício, com consequências graves para a saúde mental e financeira dos indivíduos.
Um dos primeiros passos legais contra a doença, é o Projeto de Lei 4583/24 visa garantir atendimento integral a pessoas com ludopatia, transtorno associado ao vício em jogos de azar. O texto propõe a criação do Programa Nacional de Assistência Integral às Pessoas com Transtorno de Jogo, que utilizará as estruturas do Sistema Único de Saúde (SUS), do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e da Rede de Atenção Psicossocial para oferecer suporte a dependentes desse vício.
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O tratamento da ludopatia geralmente envolve uma abordagem multifacetada. A psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC), é uma das formas mais eficazes de tratamento. A TCC ajuda a pessoa a identificar e modificar os padrões de pensamento e comportamento que sustentam o vício. Além disso, medicamentos como antidepressivos e ansiolíticos podem ser usados para aliviar sintomas de depressão e ansiedade.
Grupos de apoio, como Jogadores Anônimos, também desempenham papel importante no processo de recuperação. Esses grupos oferecem um ambiente seguro onde as pessoas podem compartilhar suas experiências e aprender com os outros. O apoio familiar é fundamental para o sucesso do tratamento, pois a compreensão e paciência dos entes queridos são essenciais para ajudar a pessoa a superar o transtorno.