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Psicóloga explica como identificar a nomofobia e dá dicas de como se libertar do “vício das telas”

Cabeça baixa, olhos fixos na tela do celular, nervosismo e ansiedade quando ficam longe das telas são apenas alguns dos sintomas da nomofobia

A cena é cada vez mais comum: adolescentes com a cabeça baixa, os olhos fixos na tela do celular, absorvidos pela tecnologia. É cada vez mais nítido o fato de que os adolescentes da era atual estão cada vez mais dependentes dos dispositivos móveis e da tecnologia em si. Mas o que acontece quando eles ficam sem as telas, especialmente nesse momento em que os celulares foram proibidos nas escolas do Brasil? Para muitos, essa falta de acesso pode desencadear um comportamento ansioso e desconfortável, conhecido como nomofobia, o medo irracional de ficar sem o celular ou de não ter acesso à internet.

Sabe aquela criança ou adolescente que não vive sem o celular? Está sempre trancado no quarto ou dentro de casa, tem poucos amigos na “vida real” e consegue fazer amizades apenas virtualmente? Pode ser que esta pessoa já esteja sofrendo com a nomofobia e não sabe. Por isso, a reportagem da Folha realizou uma entrevista exclusiva com a psicóloga doutora Hellen Martins, da Clínica Qualita, de Arapoti, que explicou como a nomofobia se apresenta, como identificar e como ajudar adolescentes que estejam passando por esta situação.

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“Adolescentes e crianças, infelizmente, têm baixa tolerância à frustração, o que os faz buscar recompensas fáceis e rápidas. O celular oferece exatamente isso, criando um ciclo: quanto mais usam, mais dopamina é liberada e mais difícil se torna ficar sem ele”, enfatizou a doutora.

Segundo as explicações da doutora, a nomofobia está diretamente ligada ao funcionamento do sistema de recompensa do cérebro. O uso do celular ativa constantemente esse sistema, liberando dopamina, o neurotransmissor responsável pelo prazer e motivação. “Cada notificação, curtida ou mensagem proporciona um prazer imediato, reforçando o hábito de checar o celular repetidamente”, afirmou.

Com a facilidade e a agilidade que a tecnologia proporciona para os jovens atualmente, os adolescentes e as crianças tendem a querer resultados mais rápidos e isso gera um ciclo vicioso que o uso excessivo das telas proporciona.

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“Adolescentes e crianças, infelizmente, têm baixa tolerância à frustração, o que os faz buscar recompensas fáceis e rápidas. O celular oferece exatamente isso, criando um ciclo: quanto mais usam, mais dopamina é liberada e mais difícil se torna ficar sem ele”, enfatizou a doutora.

Isso acaba se tornando um vício para os jovens, com os mesmos efeitos de dependência química e pode gerar diversos efeitos. “Esse padrão pode levar à dependência e dificultar o desenvolvimento de habilidades essenciais, como paciência e resiliência”, disse Hellen Martins. Quando afastados do celular, os jovens que já sofrem com a nomofobia apresentam diversos comportamentos e sinais preocupantes. “Eles podem sentir ansiedade, irritação e tédio, pois o cérebro percebe a falta desse estímulo”, acrescentou.

Portanto, embora muitas pessoas acreditem que não há mais solução para o vício virtual para a sociedade atual, alguns incentivos podem quebrar esse ciclo vicioso e são fundamentais para evitar o uso excessivo das telas. “Para quebrar esse ciclo, é fundamental incentivar momentos sem tela, atividades que promovam prazer de forma saudável e estratégias para lidar melhor com a frustração”, orientou a doutora.

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Além disso, Hellen Martins ainda apresenta algumas opções para evitar o vício pelas telas.

“Criar uma rotina estruturada é uma das melhores opções. Estabelecer horários para o uso de tela, assim como limitar o tempo em que, tanto a criança quanto o jovem, utilizem o as telas em excesso”, explicou.

Outro aspecto importante, é o incentivo à prática esportiva, ou outros hobbies offline, como artes, leitura ou música para substituir o tempo em frente às telas. “Evitar telas nos quartos, oferecer brincadeiras sem o celular para cultivar a interação social e manter relações fora das telas com os filhos também são ações de grande importância”, enfatizou.

Contudo, analisar os comportamentos das crianças e adolescentes, alcançar explicações sobre estes comportamentos e seguir as orientações específicas, podem ajudar os jovens e as crianças a se libertarem do vício das telas.

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