A visita de uma santa ao município de Siqueira Campos trouxe à tona uma polêmica que vem crescendo nos últimos anos em todo o Brasil. Nossa Senhora do Mel foi alvo de intolerância religiosa por pessoas que utilizaram as redes sociais para criticar a devoção dos católicos a imagem.
No último dia 11 de fevereiro, a Comunidade Sorriso de Deus, que fica situada ao bairro Saltinho em Siquera Campos, recebeu a visita de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, mais conhecida como “Nossa Senhora do Mel”. A Santa leva esse nome devido a verter mel, vinho, azeite e sal.
Continua após a publicidade
Essa história começou ainda na década de 1990 quando uma religiosa do interior de São Paulo passou rezar mensalmente junto a imagem da Santa. Certo dia, a mulher perceber que a Santa estava vertendo lágrimas que não paravam mesmo que ela as secasse. Daí por diante, a história se popularizou entre os fiéis católicos e a Santa passou a ter vários devotos que atribuem milagres a ela.

O fenômeno chegou a ser investigado através de estudos em laboratórios e se tornou ainda mais surpreendente após ser constatado que o mel que verte da Santa apresentar propriedades que não são encontradas no planeta terra. Até o momento, a ciência não conseguiu explicar o fenômeno nem provar se há alguma fraude.
Continua após a publicidade
Nas redes sociais, a situação dividiu opiniões entre pessoas de diferentes religiões. De um lado, católicos expressaram a sua devoção a imagem, enquanto de outro, pessoas atacaram a Santa por não concordar ou duvidar de seus milagres, situação que caracteriza a intolerância religiosa.
Algumas pessoas deram risada e zombaram da situação. Uma internauta comentou “O povo anda cego mesmo, misericórdia. Tem que ler a bíblia”. Outra usuária do Facebook disse “Só podem estar de brincadeira” e uma mulher satirizou “Virou abelha?”. O que mais chamou atenção foi uma mulher moradora do município de Wenceslau Braz que se apresenta como evangélica e tenta sobrepor sua religião em relação a fé dos católicos. “Cada coisa que o satanás inventa para enganar a humanidade e o povo sem sabedoria acredita. Meu Deus”, disse. “Eu chamo de demônios os santos que vocês adoram. Vão para o inferno adorando os santos do capeta”, completou a mulher em outro comentário.
As falas da mulher foram criticadas por outros usuários. “O seu problema com a Santa chega a beirar o ódio”. Uma usuária tentou debater e relatou já ter recebido milagres da Santa. “É verdade irmã, eu já vi e também já fui curada com esse mel. Deus agindo em nós através de Maria”, comentou.
Continua após a publicidade
No meio desta “treta”, houve quem tentou amenizar a situação e agir com o bom senso. “Deus, igreja e crenças são coisas diferentes. Deus é único e supremo, já igrejas e crenças existem várias. É ruim ver pessoas instilando o ódio e o desentendimento. Não é esse o caminho que Deus nos ensinou”, pontuou um internauta. “Se a pessoa não acredita, pelo menos respeita a fé do outro. Pessoas que zombam da religião ou dá fé dos outros precisam conhecer Jesus Cristo”, disse outra usuária.
De acordo com pesquisas, nos últimos anos a intolerância religiosa apresentou um crescimento de 45% em todo o Brasil. Apesar disso, a situação é amparada por lei e quem pratica a intolerância religiosa pode se dar mal na “Lei dos Homens”.
O direito de crer ou não crer é algo que está garantido na Constituição Brasileira. Com isso, quem praticasse discriminação por motivo religioso de forma que agredisse a liberdade de crença de uma pessoa poderia ser punido com até três anos de prisão.
Já em janeiro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que prevê pena de dois a cinco anos de prisão para quem obstrar, impedir ou empregar violência contra quais manifestações religiosas. A legislação para intolerância religiosa é a mesma para os crimes de racismo, por exemplo.