Um processo que tramitava na Câmara de Vereadores do município de Wenceslau Braz, o qual tratava de uma denúncia sobre suposta quebra de decoro parlamentar praticado pelo vereador Fernando Maluf (PSB), teve um desfecho na sessão ordinária da Casa de Leis realizada na última segunda-feira (09).
Tudo começou quando o vereador Fernando Maluf foi denunciado por uma munícipe por ter cometido uma suposta quebra de decoro parlamentar. Na denúncia, foi relatado que o vereador ficou exaltado após ter o uso da palavra negado pelo presidente da Casa de Leis Josemar Furini onde Maluf teria realizado ameaças aos colegas de plenário e até mesmo servidores da câmara.
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O processo pedia a cassação do parlamentar que poderia também perder seus direitos políticos e ficar inelegível, mas após transcorridos cinco meses, os demais vereadores responsáveis pela avaliação do processo decidiram que a denúncia é improcedente. Em entrevista à Folha Extra, o vereador Fernando Maluf comentou pela primeira vez sobre como foi passar por todo esse processo.
Para Maluf, a denúncia foi uma calúnia. “Foi uma denúncia caluniosa e as imagens juntadas no processo evidenciam isso. Foi falado que eu proferi palavras antidemocráticas e subversivas, além de ser agressivo com servidores da câmara, com o público presente e com os demais vereadores, inclusive, que tive que ser contido para não agredir o presidente Josemar Furini, algo ridículo e calunioso”, desabafou.
O vereador lamentou a situação e cobrou providências em relação a denunciante. “Infelizmente estamos a mercê deste tipo de situação onde o vereador é jogado a um paredão de fuzilamento em uma situação que é interpretativa. Isso tem que ser avaliado e cobrada a responsabilidade da denunciante. Eu acredito que qualquer pessoa pode denunciar, mas tem que ter responsabilidade com o teor da denúncia, pois do contrário, é necessário que sofra as consequências por fazer uma denúncia caluniosa”, pontuou. “Se eu tivesse cometido um crime, tivesse roubado ou feito alguma falcatrua, eu concordo que deveria ser caçado. Sou firme, não gosto de palhaçada e tomo as atitudes que são em defesa do cidadão. Eu posso sim falar alto, gesticular e tomar atitudes que fazem parte do parlamento, pois o Legislativo é um lugar de se debater os assuntos e construir ideias”, completou.
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O parlamentar também falou sobre os bastidores da referida sessão. “Eu tenho o direito de usar a palavra como qualquer outro parlamentar. Naquela ocasião eu queria falar sobre a situação das 97 famílias e pedir a presença do engenheiro na câmara para falar sobre o assunto. Eu pedi a palavra ao presidente e foi negada, algo que eu questionei com o microfone desligado. Foi algo deselegante e eu me retratei da situação, pedi desculpas. Isso não foi quebra de decoro para alguém querer me caçar e deixar inelegível por algo que falei com o microfone desligado”, explicou. “O Josemar inclusive participou das oitivas e ele mesmo informou que não houve nenhum palavrão ou xingamento. Ficou comprovado que não cometi crime nenhum”, completou.
Fernando também relatou ter tido uma conversa em particular com o presidente da Câmara, Josemar Furini, para esclarecer a situação. “Quando terminou a sessão eu tive uma conversa em particular com o Josemar, somos amigos de infância, algo que me dá condições de poder falar diretamente com ele. Eu disse a ele ‘você me calou a boca perante a comunidade, quero saber se isso vai continuar acontecendo, pois se for assim tenho que renunciar meu mandato, pois isso não serve para mim’, ele me confirmou que não. Nos acertamos e eu fui embora. Não houve palavrão nem ameaças”, disse.
Maluf ainda disse acreditar que a denúncia se trata de uma perseguição política. “Eu atribuo a questão política, pois não cometi nenhum crime em relação a ter falado. Não sei se a denúncia partiu da denunciante ou se foi motivada a fazer isso, mas acredito que ela deve ser responsabilizada. Eu tenho quatro filhos, sou político e tenho uma vida pública, e isso foi uma situação que me desmoraliza. Sem cometer crime algum tive que ficar cinco meses calado, e como isso fica? E o prejuízo que tive em minha vida pessoal e política?”, indagou.
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Fernando também falou sobre seus planos para sequência do mandato. “Eu estou me aconselhando, pois tenho que me precaver para amanhã ou depois não ser alvo de outra denúncia caluniosa. O desgaste foi terrível e interrompeu meu trabalho, mas agora vou intensificar ainda mais as minhas atividades. O parlamentar não pode ficar à mercê de qualquer denúncia caluniosa”, comentou o vereador.