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Falta de médicos e demora no atendimento: Os desafios da saúde de Arapoti são discutidos em audiência pública

A reunião foi marcada por discussões e atritos entre os responsáveis das entidades de saúde e a casa legisladora; prefeito não compareceu

Uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Arapoti, na última sexta-feira (16), colocou em evidência os sérios problemas enfrentados pela população em relação à falta de médicos e à demora no atendimento na área da saúde da atual gestão. Vereadores e representantes da Secretaria de Saúde, assim como o diretor da empresa responsável pela administração do Hospital 18 de Dezembro, participaram do debate, buscando soluções para os desafios existentes.

A audiência foi marcada por questionamentos dos vereadores Luciano Vavá, Lelo Ulrich e Edilson Corsini, que expressaram preocupação com a falta de profissionais médicos, tanto na cidade, quanto no distrito de Calógeras, maior povoado fora da área central. O vereador Vavá destacou que essa situação compromete o acesso adequado à saúde da população local. “Isso é extrema falta de competência da gestão pública. Nunca tivemos uma saúde tão abandonada no nosso município. É inadmissível dar férias a um médico sem colocar outro para substituí-lo”, disse o vereador.

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“Isso é extrema falta de competência da gestão pública. Nunca tivemos uma saúde tão abandonada no nosso município. É inadmissível dar férias a um médico sem colocar outro para substituí-lo”

Andrea Silva, secretária de saúde de Arapoti

Em resposta aos questionamentos, a secretária de saúde, Andrea Silva, admitiu as falhas e defendeu o esforço de sua equipe para resolver o problema. Ela também ressaltou que a escassez de médicos é uma questão enfrentada em todo o país. “Temos problemas sim e sabemos que temos muito a melhorar”, disse a secretária.

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Em uma de suas falas, Andrea argumentou que para agilizar o processo de atendimento nas UBSs um enfermeiro poderia atender o paciente, o que irritou os vereadores. Em entrevista à Folha o vereador Luciano Vavá disse que a fala da secretária vai contra até mesmo a ética profissional, já que enfermeiro não pode prescrever remédios, o que ocorre em 100% das consultas. “Não se pode admitir esse procedimento, que absolutamente vai contra todas as normas médicas. Enfermeiro não pode receitar remédio”, disse.

Luciano Vavá - Vereador Presidente da Câmara de Arapoti

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O diretor da empresa Centro Integrado em Saúde, responsável pela administração do Hospital 18 de Dezembro, Glauber Garbim, reconheceu a demora no atendimento e defendeu sua equipe, afirmando que um plano para melhorar a situação está em desenvolvimento e será implementado a partir de julho.

“Se vocês já sabem o número de pacientes que irão atender no ano, porque agora apenas em julho será adotada uma medida mais eficiente?”

Diante dos problemas relatados, o vereador Lelo Ulrich questionou o diretor, indagando por que a situação se repete anualmente e pediu uma melhor organização. A falta de planejamento e a recorrência desses problemas foram levantadas como pontos importantes a serem solucionados. “Se vocês já sabem o número de pacientes que irão atender no ano, porque agora apenas em julho será adotada uma medida mais eficiente?”, perguntou o vereador.

Glauber Garbim, diretor da empresa que administra o Hospital 18 de Dezembro

Ainda durante a audiência, foi proposto pelos vereadores que a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Vila Romana estenda seu horário de atendimento até as 22h, ampliando o acesso à saúde para a população. No entanto, foi mencionado que a escassez de fichas nesses postos é um obstáculo, uma vez que são limitadas a 15 atendimentos por dia, na contramão da demanda que ultrapassa as 40 procuras diárias. A mesma proposta foi feita para a UBS do bairro Alphaville.

Outra questão que veio à tona durante o debate foi a falta de remédios na farmácia do Sistema Único de Saúde (SUS), localizada no centro da cidade. Esse problema afeta diretamente os pacientes que dependem desses medicamentos para seus tratamentos. Faltam remédios considerados básicos como Paracetamol para dor simples e Azitromicina, antibiótico para problemas respiratórios. A falta dos medicamentos foi comunicada por parte de uma farmacêutica, através de uma portaria.

Mesmo com toda a polêmica envolvendo o hospital e a secretaria da saúde, até o momento, não houve manifestação do prefeito Irani de Barros, em relação à audiência e aos problemas apresentados. Irani não compareceu na reunião.

 

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