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Muita tecnologia e pouca brincadeira pode causar perda da infância

Muita tecnologia e pouca brincadeira pode causar perda da infância

O mundo mudou e a tecnologia tem se tornado cada vez mais importante na vida das pessoas. Um exemplo disso, é que 94,2% dos brasileiros utilizam a internet para se comunicar. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Se este comportamento envolve a grande maioria dos jovens e adultos, as crianças não ficam de fora deste balanço.

O celular e os vídeo games tomaram conta da maior parte da atenção das crianças que acabam deixando de lado brincadeiras tradicionais como o esconde-esconde, pega-pega, soltar pipa, jogar bola entre outras. Se por um lado a tecnologia é uma importante aliada para as descobertas e conhecimento, as brincadeiras simples também apresentam um papel importante no desenvolvimento da criança.

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A empresa AVG Technologies, mais conhecida por ser fabricante de um dos mais utilizados antivírus para computadores, promoveu uma pesquisa a nível mundial e o resultado foi alarmante. O resultado apontou que 66% das crianças com idade entre três e cinco anos tem domínio de smartphones, tabletes e jogos de computador, mas só 14% consegue, por exemplo, amarrar os sapatos sem a ajuda de um adulto.

Para saber mais sobre o assunto, a Folha Extra conversou com a psicopedagoga Luzia Simões. “De bebê até a adolescência, o eixo de aprendizagem da criança é o corpo. Quando ela deixa de trabalhar isso, acaba perdendo a coordenação motora, principalmente a fina. Coisas simples como rasgar papel e fazer bolinhas são importantes para esse desenvolvimento”, explica.

Luzia ainda fez uma ressalva sobre a facilidade que os pequenos tem em lidar com aparelhos tecnológicos. “As crianças tem uma grande facilidade de lidar com a tecnologia porque são livres e não tem medo de errar. Porém, isso é prejudicial porque ela está deixando o eixo de aprendizagem sem desenvolver”, destaca.

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A psicopedagoga ainda expôs a importância das atividades simples para o desenvolvimento das crianças. “As brincadeiras tradicionais não vem prontas para criança, isso é, ela tem que desenvolver essas atividades. Já a tecnologia traz isso muito pronto, deixando de existir um desafio. Isso acarreta problemas na habilidade motora e capacidade de lidar com problemas”, frisa.

A profissional falou da importância dos pais estarem atentos para que a tecnologia não passe a suprir um papel que seria deles. “Quando a criança está jogando, ela fica quieta e não dá trabalho. Já quando os pais tem que interagir com os filhos, isso requer atenção. O problema é que muitos pais estão mais preocupados com sua vida social ou trabalho e esquecem que tem um papel importante de estarem presentes para transmitir valores. Isso é essencial para o desenvolvimento pleno da criança”, ressalta.

Além dos problemas relacionados ao desenvolvimento, Luzia ainda destaca a questão da obesidade infantil. “Geralmente, crianças que são expostas a tecnologia acabam não realizando atividades físicas importantes, as quais poderiam ser feitas de maneira descontraída brincando de pega-pega, andando de bicicleta ou pulando corda. Isso pode colaborar para incidência da obesidade infantil”, alerta.

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Recomendação

A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria desenvolveram uma recomendação para o uso de aparelhos eletrônicos pelas crianças. Primeiramente, recomenda-se que as crianças tenham contato com estas mídias após os dois anos de idade. Com relação ao tempo de uso, a recomendação é de uma hora diária para crianças até cinco anos, 2 horas por dia para crianças de 6 a 12 anos e três horas diárias a partir dos 13 anos.

Por fim, Luzia destaca que não é necessário privar a criança, mas é necessário impor limites. “Não dá para desprover a criança da tecnologia na era tecnologia. Mas Eles tem que ter uma rotina e saber que tem limites para usar e os pais tem que estar atento para o que está criança está utilizando ou acessando”.

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