As manifestações pós-eleição tiveram um novo desfecho na tarde desta terça-feira (31). Após manifestantes bloquearem diversas rodovias do Paraná e do Brasil, inclusive na região do Norte Pioneiro, uma decisão judicial fez com que a Polícia Militar fosse para as estradas para liberar o trânsito. Apesar disso, os protestos continuam.
Tudo começou após a apuração dos votos e a confirmação de que Luiz Inácio Lula da Silva será o futuro presidente do Brasil após derrotar o presidente Jair Bolsonaro no segundo turno. O resultado desagradou muita gente e gerou manifestações que se iniciaram nas redes sociais, mas logo tomaram conta das ruas.
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Ainda na noite do domingo (30), alguns estados começaram a registrar manifestantes bloqueando rodovias. Na manhã da segunda-feira (31), os protestos já haviam se espalho por ao menos 18 estados brasileiros. Já nesta terça-feira, apenas no Paraná já eram mais de 60 pontos de bloqueio em diferentes regiões do estado.
No Norte Pioneiro, os protestos começaram na segunda-feira e os manifestantes realizaram bloqueios em duas rodovias da região. Na PR-092, foram registrados bloqueios nos trechos que passam pelos municípios de Joaquim Távora e Wenceslau Braz. Já na BR-153, houve protestos e pista fechada em Ibaiti e Santo Antônio da Platina.

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Trânsito foi liberado na PR-092 em Wenceslau Braz no início da tarde - Foto: Folha Extra.
Ainda na noite da segunda-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou que as forças policiais, principalmente a Polícia Militar, liberassem qualquer bloqueio em rodovias, sejam estas Federais, Estaduais ou Municipais em todo o país. A decisão começou a ser cumprida logo na manhã da terça-feira.
No Norte Pioneiro, ficaram responsáveis por cumprir a ordem judicial as equipes do 2º Batalhão da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Estadual. Foram desfeitos os bloqueios na BR-153 em Santo Antônio da Platina e Ibaiti, assim como em Joaquim Távora. O último a resistir foi em Wenceslau Braz, mas após muita negociação, os manifestantes liberaram a rodovia no início da tarde.
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Até o fechamento desta edição, a PR-092 ainda contava com um ponto de bloqueio próximo ao posto Paranazão, em Arapoti.
PROTESTO CONTINUA
Apesar da ordem de desbloquear as rodovias, os manifestantes prometem continuar com o protesto contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
A reportagem conversou com pessoas presentes no protesto em Wenceslau Braz que informaram que a manifestação tem como objetivo pedir uma apuração e verificação dos votos por suspeita de fraude. Além disso, os manifestantes dizem não reconhecer lula como presidente eleito muito menos aceitar ser governados por um “ex-presidiário”.
Ainda segundo as informações, os protestos devem continuar com os caminhoneiros, produtores rurais e sociedade em geral promovendo uma paralisação onde os veículos ficaram estacionados as margens da rodovia ou postos de combustíveis, mas sem obstruir as estradas.
Até o fechamento desta edição, ainda havia registros de quatro pontos de manifestação no Norte Pioneiro, além de Arapoti e Jaguariaíva. Também foram registradas manifestações em outras regiões do estado.
PRONUNCIAMENTO
O futuro dos protestos muito depende do tão esperado pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro que, após quase 48 horas em silêncio, resolveu falar na tarde desta terça-feira.
Primeiro, Bolsonaro agradeceu os votos e comentou sobre as manifestações. "Quero começar agradecendo os 58 milhões de brasileiros que votaram em mim no último dia 30 de outubro. Os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral. As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedade, destruição de patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir", afirmou o presidente.
Ele também disse que irá cumprir com a Constituição. "Sempre fui rotulado como antidemocrático e, ao contrário dos meus acusadores, sempre joguei dentro das quatro linhas da Constituição. Nunca falei em controlar ou censurar a mídia e as redes sociais. Enquanto presidente da República e cidadão, continuarei cumprindo todos os mandamentos da nossa Constituição", continuou.