Atualmente é comum encontrar pelas ruas crianças e adolescentes com comportamento de adultos ou então vestidas como tal. No entanto, apesar de parecer normal, esse processo é visto por especialistas, como um amadurecimento impositivo.
Uma das justificativas apontadas por eles é que as crianças pulam uma fase importante da vida, perdendo épocas destinadas à aprendizados e brincadeiras, seja pela tecnologia, ou então pelo amadurecimento infantil precoce.
Mas o que tem influenciado para este acontecimento? Para entender melhor sobre este fenômeno, a Folha Extra entrevistou a endocrinopediatra Juliana C. R. Rojas Ramos, que explicou que o episódio pode ser desenvolvido por questões genéticas, psicológicos, ambientais, socioeconômicas e/ou nutricionais.
Além disso, a especialista retratou a questão hormonal que, segundo ela, em muitos casos, é causada por estímulos hormonais.
A secreção hormonal começa antes da hora, por isso é dita precoce. Fatores como a obesidade, psicológicos, nutricionais podem contribuir para que essa secreção ocorra precocemente.
“Embora o libido esteja relacionado ao desenvolvimento puberal, a compreensão de um relacionamento, do namoro e das relações sexuais, envolve uma complexidade muito maior do que apenas o desenvolvimento físico; envolve comportamentos biológicos e sociais que necessitam um amadurecimento maior do que o alcançado na faixa etária dos 13-17anos. Por isso, nestas situações, as adolescentes estão mais expostas ao abuso sexual, gravidez indesejada e transtornos psicológicos”, avalia.
Juliana trabalha desde 2007 na área endócrino, e pelos conhecimentos literários adquiridos, notou que o desenvolvimento da puberdade vem apresentando uma antecipação ao longo das gerações.
“No século XIX a idade média da primeira menstruação era de 17 anos, hoje é de 12. Uma das hipóteses para isso é a maior exposição aos chamados desreguladores endócrinos, substâncias capazes de alterar o funcionamento do sistema endócrino-hormonal, presentes nos agrotóxicos e nos plásticos”, afirma Juliana, ressaltando que as condições de vida e fatores nutricionais, também contribuíram para a precocidade.
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Diante dos esclarecimentos da especialista, é notório que o amadurecimento infantil precoce acaba afetando a vida das crianças, que se tornam adolescentes cada vez mais cedo e adultos fora do período ideal.
Devido a isso, um acompanhamento pediátrico de rotina é fundamental para todas as crianças, pois o especialista pode avaliar se há naturalidade no crescimento ou então se há a necessidade de qualquer tipo de tratamento para evitar consequências na puberdade precoce, como menstruação antecipada, complicações psicoemocionais e avanço no desenvolvimento ósseo, levando a baixa estrutura.
Ou seja, é importante que os pais tenham consciência e percepção. O amadurecimento saudável precisa ser de forma contínua e não aos pulos.


