O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta terça-feira (15), em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, um decreto que facilita a posse de armas de fogo no Brasil. A medida, considerada uma promessa de campanha e também a principal novidade anunciada pelo novo governo desde a posse, já anima empresários do ramo de armamentos, os quais apontam o decreto como um “bom primeiro passo” para facilitar o acesso à armas no país e também uma promessa de boas vendas para 2019.
Na Az de Espadas, o vendedor Willians José da Silva comenta que a procura de clientes disparou durante o dia de ontem. “É muita gente procurando, recebemos uns 50% de ligações a mais”, conta. A situação é parecida na Brasil Tática, segundo afirma o gerente Anderson Oliveira. “Estamos tendo bastante procura, muitas pessoas ligando para saber o que mudou. Explodiu em 100% (a demanda)”.
Na esteira do crescente interesse da população, a previsão é de que a venda de armas de fogo cresça significativamente ao longo do ano, com um ‘boom’ logo nas primeiras semanas ou meses para depois o comércio se estabilizar num patamar superior ao que está atualmente.
“Quando foi implantado o Estatudo (do Desarmamento), o comércio de arma de fogo legal diminuiu 90%. Nossa expectativa é que isso aconteça ao contrário agora, com um crescimento de pelo menos 70%”, diz Willians, enquanto Anderson faz uma aposta mais baixa: “Acredito que vai crescer entre 30 e 50% neste ano.”
O decreto presidencial, segundo os especialistas no comércio de armas, foi um bom primeiro passo do governo Bolsonaro para avançar sobre a questão. A expectativa do setor, contudo, é de que essas mudanças ainda sejam aprofundadas.
“Tínhamos uma expectativa maior. Esperávamos mais ousadia, que quebrassem o monopólio atual e abrissem o mercado para outras armas, e isso não aconteceu. Mas é um avanço”, diz Willians. “Muita coisa vai mudar ainda, e para melhor. Isso é só a primeira coisa que ele (Bolsonaro) fez”, complementa Anderson.
A expectativa maior é pela revogação do Estatuto do Desarmamento, sancionado no final de 2003 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde 2012 tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3.822/2012, de autoria do deputado Rogério `Peninha Mendonça (MDB/SC), o qual revoga o Estatuto do Desarmamento e está pronto para ser votado no Plenário da Casa legislativa.
“Esse Projeto de Lei que vai mudar bastante, acabando com o estatuto do desarmamento e voltando o porte de arma. Aí vai aumentar bastante o fluxo de venda, procura por munições e produtos acessórios. Acredito que isso aconteça (votação do projeto) ainda no primeiro semestre deste ano. (O decreto) Foi o primeiro passo, agora está na mão do Congresso”, finaliza Willians.
O que muda
O decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro trata da posse de armas, ou seja, o cidadão poder ter uma arma em casa ou em seu escritório, obedecendo critérios distintos. O decreto anterior estabelecia que o registro deveria ser renovado a cada três anos, nos casos em que o Exército é responsável pela expedição, e a cada cinco anos, nas situações sob responsabilidade da Polícia Federal. O decreto publicado hoje unifica esses prazos em 10 anos.
Fonte: Bem Paraná


