A participação de alguns alunos da rede estadual de ensino nas mobilizações realizadas pelos professores nos últimos dias acabou gerando reclamações por parte de alguns pais, em Wenceslau Braz.
Dois moradores da zona rural do município, que tem suas filhas matriculada no Colégio Estadual Dr. Sebastião Paraná, localizada no centro da cidade, procuraram a Folha Extra para expor a situação e reclamar desta “troca” de aulas por passeatas.
“Achei que minha filha estava na escola, tendo aula, que seria o certo. Aí vim pra cidade e por acaso peguei um jornal, que tinha uma foto da minha filha protestando junto com os professores”, detalha o pai de uma das adolescentes.
“Não sou contra a greve, até sou a favor, porque acho que professor deve ganhar mais mesmo. Só que tem que saber separar. As crianças saem do sítio cedo com os pais achando que elas vão ter aula, não achando que vão ficar na rua fazendo passeata. Isso eu acho que não está certo”, continua o agricultor.
Os dois moradores afirmaram que não procuraram a diretoria da escola para conversar, mas que já proibiram as filhas de terem qualquer participação em eventos que sejam fora da instituição onde estudam.
“Já proibi minha filha disso. Ela vem pra cidade pra estudar e ponto final. Acho que enquanto não se resolver essa situação, de ficar tendo algumas aulas e outras não, é melhor nem vir pra cidade. A gente se preocupa, quer melhor pra eles, e ficar participando de greve não vai ajudar em nada nem agora e nem no futuro”, pontua.
Em tom mais moderado, o segundo agricultor que procurou a reportagem do jornal afirma que também é a favor da causa dos professores, mas defende que a protestos sejam feitos sem participação de alunos.
“Eu até vejo que professor ganhando melhor vai ser melhor para os alunos também, só que não é certo alguém sair de casa, ou do sítio, para vir para escola e acabar ficando sem aula. Aluno em horário de aula tem que estar na sala de aula, ou então que fique em casa”.
O sindicato dos professores recomenda que os pais nesse tipo de situação orientem os filhos conforme com a sua opinião e procurem a direção dos colégios que têm professores em greve.


