Nem policiais, nem vigias, nem mototaxistas, nem caminhoneiros, nem motoristas de ônibus. A classe que mais tem profissionais mortos no exercício da profissão no Norte Pioneiro é a dos taxistas.
Em todos os municípios da região existem registros de violência contra motoristas de taxi. Alguns casos mais leves, e outros que terminam em tragédias e ganham destaque nas páginas policiais.
O último deles aconteceu em Tomazina, na semana passada, quando João César Richter, o Gaúcho, foi assassinado com um tiro no rosto durante uma corrida. O assassinato aconteceu entre Tomazina e Pinhalão, e o carro da vítima foi encontrado no dia seguinte na beira da rodovia.
O crime reflete uma realidade de insegurança e medo por parte dos taxistas da região, que não contam com maiores “dispositivos” para trabalhar com segurança. Desta forma, soluções improvisadas e a sorte são apontadas pelos profissionais como as melhores formas de se manter a salvos de ações como a da semana passada.
Em uma região onde o índice de assassinatos é relativamente baixo, os taxistas enfrentam todos os anos baixas em seu quadro, vítimas deste tipo de crime. O modo de agir dos bandidos é sempre muito parecido: uma corrida para outra cidade. No meio do caminho o assalto é anunciado. A partir daí o leitor pode imaginar o que acontece.
“A gente não tem segurança nenhuma. Eu acho que a gente deve ter porte de arma, para pode ter alguma defesa, mas se a polícia pega a gente com uma faca já dá problema”, aponta o taxista Francisco Pedro dos Reis, que tem seu ponto em frente ao portal da prainha de Tomazina.
“Sempre ouvi e li de outros taxistas aqui da região que tinham sido assassinados, mas nunca imaginei que ia acontecer com um amigo, como foi com o Gaúcho. Não só eu, mas todos os taxistas de Tomazina estão tristes e com medo”, continua, afirmando que depois do assassinato do colega tem evitado fazer corridas noturnas.
Fernando Antônio Pinto atua como taxista em Ibaiti há uma década, e vê o perigo cada vez maior para a profissão. “O que acontece é que não existe nada que proteja a gente, só Deus. A classe fica a mercê dos bandidos e só resta torcer pra não acontecer nada, além de tomar algumas precauções. Já vi vários colegas pararem de fazer corridas a noite, ou mesmo proibido andar armado, ou até armar o carro para não pegar sem alguma gambiarra que só o dono vai saber”.
Já Bráulio Aparecido de Moraes, de Wenceslau Braz, tem 80 anos e é taxista há outros 54. Em todo esse tempo já ouviu centenas de casos de violência e presenciou alguns deles. “Fui assaltado três vezes, uma vez enquanto trabalhava em São Paulo e outras duas vezes aqui em Wenceslau. A gente tem que se cuidar, porque não tem segurança nenhuma. Como vai saber se a pessoa que pede a corrida é boa ou não? A maioria é gente honesta, mas infelizmente tem os que não são”.
O taxista ainda afirma que se recorda de três casos de taxistas brazenses que foram assassinados durante corridas. “É muito triste saber que alguém morreu trabalhando e não teve como se defender. Nessas horas eu penso em já largar a praça”, completa.
Vale lembrar que boa parte dos homicídios contra taxistas não foram solucionados, e os criminosos seguem às soltas.
LUCAS ALEIXO


