[caption id="attachment_2028" align="aligncenter" width="600"] No Norte Pioneiro, 54% dos produtores rurais são provenientes da agricultura familiar[/caption]
De acordo com a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), o cooperativismo é um movimento, filosofia de vida e modelo socioeconômico capaz de unir desenvolvimento econômico e bem-estar social. No Norte Pioneiro, 54% dos produtores rurais são provenientes da agricultura familiar, mas a falta de cultura associativista faz com que a maior parte deles não faça parte de cooperativas.
Para o diretor da Associação de Produtores de Cereais de Wenceslau Braz (Aprocer), Willian Cesar do Nascimento, a principal vantagem do produtor familiar que faz parte de cooperativas ou associações é a questão da lucratividade, pois, por produz pequenas quantidades, o pequeno agricultor não consegue ter o mesmo poder de compra que agropecuaristas com mais terras. “Como sua produtividade é menor, na hora da venda o agricultor familiar não consegue pegar o mesmo valor que um grande produtor. Estando associado, ele consegue um preço melhor de venda, pois ele junta sua produção com diversos outros produtores, inclusive os grandes, e assim o nível de venda é mais alto”, afirma Nascimento.
O mesmo acontece na hora da compra, pois, estando associado, o produtor familiar adquire insumos agrícolas e equipamentos junto com diversos outros agricultores, conseguindo assim um preço menor na compra. “Ou seja, se ele tem um gasto menor com sua lavoura, seu lucro final será fatalmente maior”, explica.
Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Wenceslau Braz, Antonio de Souza Alves, cita como benefício a participação nos planos governamentais voltados às cooperativas e associações. Ele aponta como um dos exemplos o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), no qual o governo do Estado compra a produção de pequenos agricultores para servir de alimentos nas escolas públicas. Porém, o PNAE não pode comprar de agricultor individual, apenas de cooperativas e associações de agricultores familiares.
“Temos produtores de banana em Santana do Itararé e em Wenceslau Braz, mas vem uma cooperativa do estado de São Paulo entregar bananas em nossas escolas. Isso porque esses agricultores não estão associados para poder vender essa mercadoria para o governo do estado”, afirma o presidente do Sindicato.
Ele também afirma que através das cooperativas, os pequenos agricultores podem se organizar para receber cursos da EMATER, por exemplo. “A agricultura se renova e a cada dia é preciso buscar mais informações para aumentar a produtividade e melhorar condições de trabalho. Várias entidades governamentais dão palestras e cursos gratuitos para associações, o que não seria possível a um produtor individual”, diz.
Além disso, estar filiado pode ajudar na lucratividade através no beneficiamento dos produtos. A Companhia Nacional do Abastecimento (CONAB) é uma das entidades públicas que oferece máquinas em comodato para que associações de produtores e cooperativas possam fazer a industrialização de seus produtos e assim conseguir preços muito melhores na hora da venda.
FALTA DE CULTURA ASSOCIATIVISTA
Segundo Willian Cesar do Nascimento, ainda falta a cultura do cooperativismo aos pequenos produtores da região. Isso se deve principalmente pelo receio, já que há algum tempo houve grande quebra de cooperativas no Norte Pioneiro e muitos produtores acabaram no prejuízo.
“Por isso, muitos agricultores ainda têm a ideia de que a cooperativismo é algo de risco, quando na verdade atualmente só há benefícios. Muitos dos nossos produtores cresceram dentro do ramo, têm mais conhecimento, estão fiscalizando mais, mas precisamos vencer o paradigma de que as cooperativas oferecem risco”, explica.
O Sindicato dos trabalhadores Rurais é um elo para ajudar a fortalecer o associativismo e cooperativismo, mas além de estar ligado ao sindicato, é de suma importância que o produtor também faça parte de associações para fortalecer seu trabalho. Isso é o que garante o presidente Antonio de Souza Alves. “Damos todas as informações para que os associados possam formar ou se enquadrar em cooperativas e associações”, expõe.
PAA
O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) promove o acesso a alimentos às populações em situação de insegurança alimentar e promove a inclusão social e econômica no campo por meio do fortalecimento da agricultura familiar.
O Programa propicia a aquisição de alimentos de agricultores familiares, com isenção de licitação, a preços compatíveis aos praticados nos mercados regionais. Os produtos são destinados a ações de alimentação empreendidas por entidades da rede socioassistencial; Equipamentos Públicos de Alimentação e Nutrição como Restaurantes Populares, Cozinhas Comunitárias e Bancos de Alimentos e para famílias em situação de vulnerabilidade social. Além disso, esses alimentos também contribuem para a formação de cestas de alimentos distribuídas a grupos populacionais específicos.
PRONAF
O Programa Nacional de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (PRONAF) tem por finalidade promover o desenvolvimento sustentável do segmento rural constituído por agricultores familiares. Uma ação que propicia aumento da capacidade produtiva, geração de empregos e melhoria de renda.
Temos produtores de banana em Santana do Itararé e em Wenceslau Braz, mas vem uma cooperativa do estado de São Paulo entregar bananas em nossas escolas. Isso porque esses agricultores não estão associados para poder vender essa mercadoria para o governo do estado
Guilherme Capello


