Um dos assuntos da pauta política internacional vem sendo, há algum tempo, o aumento da produção de lixo pelos seres humanos, suas consequências para as pessoas e para o meio ambiente. A reciclagem tem sido vista como uma das formas de reduzir a quantidade de detritos sólidos espalhados pelos lixões, aterros sanitários, ruas, rios, entre outros.
Existem inúmeras maneiras de se usar material reciclável, mas o brazense Geraldo Motta, de 57 anos, escolheu a arte. Ele utiliza garrafas pet, chapas de madeira descartadas pela indústria, latas e até rolo de linha de costura para produzir quadros, artesanato e até brinquedos.
O artista chegou a fazer cursos em escolas de arte conceituadas de Curitiba como o Centro de Artes Guido Viaro e Museu Alfredo Andersen, mas desistiu por não se adaptar às técnicas utilizadas nas escolas. “Eles focam muito em teoria e técnicas e por isso o ensino acaba sendo demorado. Eu queria algo mais rápido, mais direto ao ponto até por já ter um estilo de trabalhar”, explica.
Seu estilo, aliás, é o “não-estilo”. Motta não foca se trabalho em um ponto de interesse ou técnica específica. Ele cria séries de quadros nas quais se vê formas diferenciadas de utilizar as tintas, as pinceladas e também os traços. Cria artesanatos diversificados e brinquedos. Sua única limitação é o material utilizado em cada obra.
Por trabalhar apenas com aquilo que outros consideram lixo, Motta cria suas peças a partir do que encontra nas ruas, nas lixeiras e do que recebe de amigos, o que também contribui para que sua arte seja variável. “Pode-se fazer arte com qualquer tipo de material reciclado. Veja, com garrafa pet, por exemplo, consigo fazer 28 tipos de flores diferentes, carrinhos, lamparina”, garante o artista.
ARTE QUE VEM DO LIXO
Foi inclusive a própria garrafa pet que influenciou Motta a começar utilizar recicláveis em seu trabalho. Ele percebeu que poderiam ser feitas diversas peças com o material e que seria um desperdício que ele fosse para o lixo. A partir disso, o artista de Wenceslau Braz começou a usar chapas de madeira que iam parar nas lixeiras como telas para suas pinturas e não parou mais de fazer arte a partir do “lixo”. “Dá para se reaproveitar quase tudo o que as pessoas jogam fora”, afirma.
Um dos orgulhos do artista são os aviõezinhos que ele faz com rolos de linha para costura. Invenção própria, os brinquedos têm aerodinâmica e até voam com ajuda de um barbante.
INCENTIVO PARA A ARTE
O dinheiro dá aposentadoria é a principal renda de Geraldo Motta. Ele já até conseguiu viver de sua arte, mas em grandes centros como Londrina em Ponta Grossa. Ele reclama que falta incentivo para a arte em Wenceslau Braz e que o preço de suas obras é muito desvalorizado na região.
“Tem quadro meu espalhado por todo o Paraná, pelo Rio de Janeiro e até outros estados. Mas aqui em Wenceslau se paga muito pouco pelas obras e isso inviabiliza ser artista profissional por aqui”, conta Motta.
RETRATAR WENCESLAU
Esse é um dos sonhos e projetos de futuro do artista brazense. “Quero reunir uma série de fotos antigas da cidade para retratá-las em quadros. Eu sou nascido e criado nessa terra e quero contar sua história através de pinturas”, explica.
Guilherme Capello


