O assunto pode até parecer de certa forma repetitivo, mas com certeza a repetição não é nem de longe maior que a dor das famílias de duas pessoas inocentes que perderam a vida de forma tão banal. Depois da morte de Eduardo Alves Braga, de 33 anos, na última segunda-feira (22), sendo a segunda vítima fatal do acidente no pedágio de Jacarezinho, em 14 de setembro, mais protestos surgiram contra a praça de pedágio do município nesta semana.
Como já era de se esperar, dezenas de pessoas demonstraram revolta contra o pedágio de Jacarezinho nas redes sociais e novos protestos na praça são arquitetados – vale lembrar que pelo menos duas manifestações já aconteceram no local do acidente desde então.
Moradores tanto de Jacarezinho quanto de Ourinhos (SP), os dois municípios mais afetados pela cobrança, devem se reunir nos próximos dias em frente a praça para mais protestos. No último domingo (21), as cancelas do pedágio chegaram a ficar abertas durante a realização de uma manifestação.
Antes de Eduardo, sua esposa, Gisele Alves Braga, 35 anos, já havia perdido a vida no momento do acidente, quando uma corrente na lateral da praça enroscou no pescoço da vítima e a asfixiou instantaneamente.
O ACIDENTE
O casal Eduardo e Gisele era de Campinas (SP) e estava em Ourinhos para participar de um evento voltado para motociclistas. Como não encontraram vaga em hotéis da cidade paulista, cruzaram a divisa até Jacarezinho para passar a noite.
Na manhã do dia 14, um domingo, o casal voltava para Ourinhos onde pretendia passar o dia no evento. Porém ao passarem pela lateral da praça se chocaram contra uma corrente, que arrebentou e acabou se enrolando no pescoço de Gisele, matando-a na hora.
Eduardo disse a polícia que achou que a passagem era liberada para motos, já que em Campinas os pedágios não cobram tarifas das motocicletas, e seguiu pela lateral por imaginar que ali seria o local destinado para estes veículos.
Depois do acidente Eduardo ainda foi encaminhado para a Santa Casa de Jacarezinho em estado grave, e posteriormente transferido para Campinas, onde veio a falecer.
CARO E IRREGULAR
E não é de hoje que a praça de pedágio de Jacarezinho, que abrange as rodovias BR-369 e BR-153 causa revolta. Ali é cobrada a terceira tarifa mais cara do Paraná (R$ 13,10 para carros de passeio) sem que haja melhorias significativas nas rodovias nos trechos de concessão da Econorte (que também registram um grande número de acidentes) no Norte Pioneiro. Apesar dos lucros exorbitantes, de acordo com a CPI do pedágio do Paraná, com a cobrança da tarifa, sequer existe previsão para obras de duplicação nestes dois trechos.
Para piorar, se engana quem acha que os problemas param por aí. A própria instalação do pedágio em Jacarezinho, há 11 anos, já foi considerada pela irregular pela justiça e é alvo de ações por parte do Ministério Público.
Originalmente a praça ficava entre os municípios de Cambará e Andirá, abrangendo apenas a BR-369, porém sem licitação um trecho de 40 quilômetros da BR-153 foi simplesmente dado para a Econorte e o pedágio passou a também ser cobrado nesta rodovia.
De lá para cá houve processos, liminares e até a suspensão da cobrança por alguns dias, porém o ministro Gilmar Mendes concedeu uma liminar que garantiu a permanência do pedágio em Jacarezinho e graças a morosidade da justiça o processo contra a concessionária segue sem julgamento – e com os usuários no prejuízo (e agora até com casos de morte), e a Econorte com lucros cada vez maiores.
LUCAS ALEIXO


