O Café do Norte Pioneiro foi o primeiro produto a obter o registro de Indicação Geográfica (IG) junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A tradição e a importância do produto para o desenvolvimento da região são fatores que impulsionaram essa conquista, obtida já há sete anos. Os produtos com registro de Indicação Geográfica são aqueles com características diferenciadas por serem produzidos em uma região ou território específicos.
Os benefícios do registro de IG para a produção cafeeira são confirmados na prática. A atividade ajudou a desenvolver uma região inteira, no caso, todos os 46 municípios do Norte Pioneiro do Paraná.
ECONOMIA LOCAL- Diferente de outras culturas, o Café do Norte Pioneiro movimenta mais a economia local. “O valor bruto da produção circula nos municípios. A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento estima entre 5 mil a 7 mil propriedades de café no Paraná – 62% delas se concentram no Norte Pioneiro. Para 2019 é prevista a produção de 1,1 milhão de sacas no Estado.
CARLÓPOLIS
O pioneirismo no registro de IG serviu de resgate do produto, que faz parte da história paranaense. Se na década de 1960 o Paraná era o principal produtor brasileiro, hoje tem no café o reconhecimento de um produto especial e que representa o desenvolvimento econômico de cidades e de famílias por gerações.
Desde 2007, o cafeicultor Rodrigo Roenco Machado trabalha na propriedade herdada da família, de 34 hectares, em Carlópolis, uma das cidades do Norte Pioneiro. Ele faz parte da terceira geração do café na família. “Meu pai e meu avô criaram todo mundo com base no café”, diz ao relacionar o sustento econômico.
Machado conta com oito funcionários e inova na diversificação, abrindo frente com a fruticultura. Mas o gosto pelo café permanece na plantação. Com desafios como diminuir custos de produção do café, ele diz ser essencial ter o apoio da Associação dos Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Acenpp) para ganhar competitividade no mercado.
Carlópolis é um exemplo no processo de reinventar e investir na produção deste tipo de grão. “Os produtores investiram muito em maquinário, compraram colhedoras, tratores e carretas nos últimos 15 anos. Hoje, atingiram um custo baixo de produção e tem alta produtividade”, destaca o coordenador da Emater.
Além disso, outras tecnologias que rendem destaque à cidade foram implementadas ao longo dos anos, como o emprego de tipos de café resistentes a pragas e métodos diferenciados no solo.
SEBRAE JACAREZINHO
O consultor do Sebrae/Pr em Jacarezinho, Odemir Capello, diz que o reconhecimento nacional do café paranaense tem importância para a organização dos pequenos produtores que passam a se reunir em projetos coletivos. “A Indicação Geográfica é um mote para trabalhar outros aspectos, além do mercado. O ganho com o associativismo é muito grande. As novas lideranças surgiram entre os pequenos agricultores”, diz.


