Passar em um vestibular e realizar um curso superior ainda é o sonho de muitos estudantes em todo o país. Quem dera se isso aconteceu em uma universidade pública renomada em um curso superconcorrido. Porém, toda essa conquista que é para ser motivo de orgulho e alegria, um alguns casos acaba sendo o início de um pesadelo, tudo graças aos trotes universitários.
Historicamente este tipo de “recepção” aos calouros é tida como violenta no Brasil. De acordo com registros históricos, o primeiro trote registrado no país aconteceu em 1831 e resultou na morte de um estudante. Há quem diga que a prática teve origem na Europa em plena idade média, ou seja, uma atitude medieval e violenta. Apesar de parecerem antigas, as ações ainda são registradas em situações onde os calouros são humilhados, violentados, agredidos entre outras situações degradantes; como foi no caso do trote promovidos por alunos do curso de Medicina Veterinária da UENP na semana passada.
A Folha Extra realizou uma pesquisa com internautas onde os participantes puderam responder a seguintes questão “Com ou sem exageros, você é a favor ou contra os trotes universitários?”. O resultado aponta que 90% dos internautas se mostra totalmente contra a prática, sendo que 5% se diz favorável desde que haja moderação e 5% se mostra favorável valendo tudo. No total, participaram da enquete 450 pessoas.
O “Ritual de passagem” persiste ao longo dos séculos e, de acordo com especialistas, isso acontece porque os calouros se sentem introvertidos e em busca de inclusão no momento que chegam a faculdade/universidade, o que faz com que estas pessoas acabem se sujeitando a práticas vexatórias e humilhantes. Além do desejo de ser aceito, eles também acabam se alimentando da possibilidade de serem os veteranos no próximo ano e poderem se “vingar” dos novos calouros, criando um círculo vicioso.
Trote UENP
O vexame protagonizado por alguns veteranos do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná é um dos episódios que ilustram estes casos. Na ocasião, os novos alunos foram obrigados a rolar no esterco, beijar cabeça de porco morto e, segundo denúncias, alguns chegaram a ser arriados com selas e foram montados. Após os vídeos virem à tona e revoltarem os internautas, a UENP abriu uma sindicância para identificar os envolvidos, tanto autores quanto as vítimas. O caso pode culminar em advertências, suspensão e até mesmo expulsão dos agressores.
Trote Solidário
Com o passar dos anos e conscientização dos estudantes, alguns alunos optaram por substituir a violência do rito de passagem por ações beneficentes e, assim, surgiram os chamados “Trotes solidários”. Assim, ao invés de humilhar e agredir os calouros, os veteranos propõem desafios como angariar alimentos, realizar doação de sangue, limpeza de locais públicos e etc. O objetivo é mudar a concepção dos alunos tornando as receptividades mais cordiais e, de quebra, promover boas ações.


