Uma operação do Ministério Público do Paraná e executada pelo Gepatria (Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa) foi realizada na manhã desta terça-feira (26) no município de Bandeirantes. O objetivo foi cumprir mandados de busca e apreensão e os alvos foram servidores acusados de desviar verbas públicas.
A ação faz parte da “Operação Alecto” que investiga a ação de servidores públicos em desvio de dinheiro no município. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em um depósito que é de posse de um dos réus que está preso. No local, os agentes encontraram uma motocicleta, um automóvel, dois minicarros e eletrodomésticos. De acordo com as investigações do Ministério Público, os objetos foram adquiridos através de dinheiro proveniente do esquema de corrupção.
De acordo com as investigações dos promotores, entre janeiro de 2017 e abril de 2018, os servidores públicos teriam desviado mais de R$ 881 mil, sendo que o dinheiro teve como destino as contas dos acusados. As investigações ainda apontam que os acusados se aproveitavam dos cargos que tinham para ter acesso ao sistema da prefeitura e adulterar extratos bancários e fraudar as prestações de contas.
Porém, após ser instalado o portal de transparência no município, os acusados passaram a ter maiores dificuldades para praticar os golpes e desviar o dinheiro. Em contato com a prefeitura, a Folha Extra foi informada que um processo administrativo sobre a ação dos servidores está em andamento.
Entenda o caso
Tudo começou após uma denúncia que levou a equipe do Gepatria a realizar uma série de investigações envolvendo a quebra de sigilo bancário da prefeitura, foi constatado a ausência de vários registros de pagamentos realizados entre janeiro de 2017 e abril de 2018. O decorrer das investigações levaram a promotoria até o nome de quatro servidores apontados como responsáveis pelo rombo no caixa do município.
Com isso, em novembro do ano passado, uma operação do Gepatria cumpriu quatro mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão nas residências dos suspeitos, além de arquivos e computadores da prefeitura. Na época, a ação teve apoio das promotorias de Cornélio Procópio e Bandeirantes e a promotoria destacou que os servidores colaboraram com a ação da polícia.
Em entrevista ao jornal Folha de Londrina na época da prisão, o promotor Francisco Ilídio Hernandes falou sobre o modus operandi do grupo. "Eles utilizavam dos cargos e do acesso que tinham aos sistemas para desviar não só os valores dos salários deles que estavam descritos nas folhas de pagamento, mas, também, outros valores que não constavam no Portal da Transparência nem nos comprovantes de pagamento deles", afirmou.


